Na última semana, a sonda InSight da NASA detectou o maior terremoto já registrado em Marte até agora. O tremor de magnitude 5 aconteceu no dia 4 de maio e durou cerca de 30 minutos –tempo muito superior ao que os terremotos duram na Terra.

Esse, no entanto, não foi o terremoto mais longo já constatado no planeta vermelho. Em agosto de 2021, a InSight registrou um tremor de magnitude 4,2 que sacudiu o solo por 90 minutos. Até então, esse era considerado o maior dos 1.313 terremotos já detectados pela sonda, que atua desde novembro de 2018. 

Terremotos lá são diferentes

Na Terra, os terremotos são resultados da movimentação de placas tectônicas, que se chocam e liberam enormes quantidades de energia, estremecendo a superfície. Mas isso é exclusividade nossa.

Não há placas tectônicas fora daqui, o que leva os cientistas a sugerir que os terremotos marcianos sejam causados pelo resfriamento do interior do planeta. Basicamente, os materiais que existem ali acabam se contraindo com o tempo, aumentando a tensão externa, que é liberada através de fraturas da crosta. Isso gera chacoalhões menos intensos do que os vistos na Terra, porém muito mais longos.

A análise dos terremotos detectados pela InSight pode ajudar cientistas a entender detalhes sobre o interior do planeta vermelho. À medida que as ondas sísmicas passam pelo material na crosta, manto e núcleo de Marte, elas sofrem alterações. Tais mudanças permitem aos sismólogos determinar a profundidade e composição das camadas.

Esse tipo de estudo não elucida apenas questões de Marte, mas sim de todos os mundos rochosos, o que também inclui Mercúrio, Vênus, Terra e a própria Lua.