A Tesla comprou US$ 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 8 bilhões na conversão atual) em bitcoin, de acordo com documento registrado na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) nesta segunda-feira (8). A empresa de carros elétricos fez o investimento em janeiro de 2021, embora o processo não diga a que preço a empresa se fixou para completar a ação.

O relatório da Tesla incluído na SEC diz o seguinte:

Em janeiro de 2021, atualizamos nossa política de investimento para nos fornecer mais flexibilidade para diversificar ainda mais e maximizar os retornos sobre nosso caixa que não são necessários para manter a liquidez operacional adequada. Como parte da política, que foi devidamente aprovada pelo Comitê de Auditoria de nosso Conselho de Administração, podemos investir uma parte desse dinheiro em certos ativos de reserva alternativa, incluindo ativos digitais, barras de ouro, fundos negociados em bolsa de ouro e outros ativos, conforme especificado no futuro. Depois disso, investimos um total de US$ 1,5 bilhão em bitcoin sob esta política e podemos adquirir e manter ativos digitais de tempos em tempos ou de longo prazo. Além disso, esperamos começar a aceitar o bitcoin como forma de pagamento por nossos produtos em um futuro próximo, sujeito às leis aplicáveis ​​e inicialmente de forma limitada, que podemos ou não liquidar no recebimento.

Preste bastante atenção nessa última parte, que aponta que a companhia tem grandes ideias para aceitar bitcoin como pagamento na hora de adquirir um carro novo. No entanto, isso talvez ainda leve um bom tempo para acontecer, já que uma das principais razões pelas quais o bitcoin não foi adotado como uma moeda generalizada é porque seu preço flutua muito.

É justamente essa a questão levantada em outro ponto do relatório enviado à SEC. A Tesla reconhece o quão voláteis criptomoedas como o bitcoin podem ser, e é exatamente por isso que ela precisava fazer uma divulgação sobre isso aos reguladores financeiros:

Os preços dos ativos digitais foram e podem continuar a ser altamente voláteis, inclusive como resultado de vários riscos e incertezas associados. Por exemplo, a prevalência de tais ativos é uma tendência relativamente recente, e sua adoção a longo prazo por investidores, consumidores e empresas é imprevisível. Além disso, a falta de forma física, a confiança na tecnologia para sua criação, existência e validação transacional e a descentralização podem sujeitar sua integridade à ameaça de ataques maliciosos e obsolescência tecnológica. Finalmente, até que ponto as leis de valores mobiliários ou outros regulamentos se aplicam ou podem se aplicar no futuro a tais ativos é algo que não está claro e pode mudar no futuro. Se tivermos ativos digitais e os valores diminuírem em relação aos nossos preços de compra, nossa condição financeira pode ser prejudicada.

Musk acredita muito no bitcoin, e não será surpresa se ele usar suas redes sociais para publicar mais coisas a respeito da criptomoeda. Claro, algumas vezes o bilionário tira sarro da situação, como foi com a dogecoin na semana passada; em outras, simplesmente menciona o termo “bitcoin”, e no mesmo instante o valor da moeda digital dispara. No entanto, investir US$ 1,5 bilhão nesse tipo de transação não é motivo de piada.