Vamos conversar sobre como percebemos as cores. A ideia me surgiu quando um colega de trabalho me perguntou se ele deveria comprar um computador com 100% sRGB ou 100% Adobe RGB, que mostra mais tons de verde. Eu falei para ele na brincadeira para usar este teste da X-Rite de percepção de cor para ver se ele poderia perceber diferenças substanciais nas cores para gastar com o monitor mais caro Adobe RGB. Ele conseguiu – mas algumas pessoas não conseguem!

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As pessoas que produzem desde TVs a telas de smartphone estão competindo para reproduzir as cores de forma mais precisa. O que significa que agora, mais do que nunca, é uma boa ideia saber como você percebe as cores. Se você é daltônico ou tem uma deficiência de percepção de cores, talvez você não precisa se preocupar tanto sobre as propagandas de gamas de cores mais amplas.

Se você tem pressa, pode fazer o teste da imagem abaixo, no qual você precisa organizar 40 blocos coloridos ao longo de quatro linhas por ordem de matiz. Mas se você realmente quiser testar os seus olhos e visualizar onde estão suas deficiências, faça esse teste bem mais difícil em que você precisa combinar 72 blocos de cor por matiz.

Em ambos os testes, a pontuação “0” sugere que você possui visão perfeita para cores, mas no segundo teste é muito mais difícil de se conseguir essa pontuação. Aqui na redação do Gizmodo apenas um conseguiu na primeira tentativa. Isso se deve a um conjunto de fatores.

Primeiro há a simples fatiga dos olhos. Ficar olhando para o teste por um longo período de tempo vai desgastar seus olhos e dificultar a visão das diferenças na tonalidade dos blocos.

O teste mais fácil. Captura de tela: Alex Cranz (X-Rite)

Depois, há as limitações das hastes e cones em seus olhos que permitem ver coisas ao longo do espectro de cores, do vermelho, verde e azul. A visão humana tende a perceber as mesmas cores – especificamente as que estão ao longo do espectro vermelho e verde – muito melhor do que outras cores (como aquelas que estão ao longo do espectro azul).

É por isso que achamos estranho quando os tons de pele são muito mal reproduzidos na TV ou quando o verde da grama parece verde demais em uma imagem. É por isso que gostamos mais de telas com mais tons azuis – mesmo quando elas estão reproduzindo as cores de forma imprecisa. Temos uma percepção menos precisa do azul, por isso é uma cor mais agradável aos nossos cérebros.

E pelo fato dos nossos olhos terem mais dificuldade com as cores do espectro azul, combinar os blocos dessa gama é muito mais difícil. Se você tem uma deficiência de percepção de cor, é ainda pior. O X-Rite afirma que homens tendem a ter mais dificuldades de diferenciar cores do que mulheres, com uma em cada 255 mulheres e um em cada 12 homens com algum tipo de deficiência na percepção das cores.

O terceiro problema talvez não seja tão comum e se relaciona com a sua tela. Diferentes tipos de displays reproduzem as cores de formas diferentes. OLEDs, LEDs e displays de pontos quânticos possuem suas assinaturas únicas do espectro de cores. Enquanto essas telas melhoram e recriam mais cores, elas se tornam mais exatas na reprodução. O que é ótimo. Mas também significa que algumas telas, particularmente as de pontos quânticos, pode ser tão boas que a cor que elas reproduzem fiquem em um espectro tão estreito que talvez você e eu vejamos a mesma cor de forma diferente.

É assim que eu resumo o conceito: se há uma linha muito tênue, essa linha pode parecer mais ampla ou mais estreita, dependendo de onde eu estou. As cores funcionam da mesma forma (algo chamado metamerismo). Se a parte do espectro em que a cor é produzida for muito estreita, você e eu poderemos vê-la de maneira diferente, o que poderia nos enganar a respeito de nossos resultados no teste acima.

Se você tirar uma pontuação “0” com muita facilidade, vale a pena tentar os testes mais sofisticadas, mas se você não passar no teste… Talvez você não deva ficar tão empolgado com todas essas novidades nas telas.

Imagem do topo: O teste difícil. Captura de tela: Alex Cranz (X-Rite)