Há trinta anos, o programador russo Alexey Leonidovich Pajitnov criou Tetris. Apresentado por trás da Cortina de Ferro, o incrivelmente simples e viciante jogo logo deixou a União Soviética. Ele passou por dezenas de plataformas, mas a mais marcante sem dúvidas foi o Nintendo Game Boy. E essa duplinha definiu os jogos portáteis como conhecemos hoje.

Hoje em dia a história de Tetris é bem conhecida entre fãs de videogames: apresentado em 6 de junho de 1984 como um jogo de computador, o produto criado pela Academia de Ciência de Moscou, na União Soviética, se espalhou rapidamente pelo resto do mundo. Foi o primeiro jogo eletrônico a ser exportado da União Soviética para os Estados Unidos, através do Commodore 64. Mas foi a partir de 1989, quando ele foi incluído no lançamento norte-americano do Game Boy, que Tetris marcou uma geração.



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O Game Boy não foi o primeiro videogame portátil da história (dispositivos rudimentares começaram a aparecer nas prateleiras em meados dos anos 70), nem o mais potente da época: o Atari Lynx e o Sega Game Gear, ambos lançados mais ou menos próximos ao Game Boy, contavam com telas iluminadas e coloridas. A Nintendo só deu cores ao seu portátil em 1998, com o Game Boy Color. Mas, em comparação, os consoles da Atari e da Sega devoravam pilhas, enquanto o Game Boy aguentava até 12 horas com 4 pilhas AA, o que ajudou a torná-lo popular entre jogadores casuais.

As vendas do Game Boy foram incríveis. Algumas semanas após seu lançamento, já eram mais de 1 milhão de portáteis espalhados pelos EUA. Entre o lançamento do modelo original em agosto de 1989 e a sua versão colorida em 1998, foram mais de 120 milhões de pequenos consoles vendidos pelo mundo.

Tetris foi um dos cinco cartuchos escolhidos pela Nintendo para acompanhar a caixa da primeira leva de Game Boys. E ele foi um dos jogos mais vendidos da história do sistema: mais de 30 milhões de cartuchos com seu nome foram levados para lares pelo mundo. E o mais importante disso tudo é que Tetris ajudou a definir um estilo de jogo portátil que é popular até hoje.

Pense nisso conceitualmente: um jogo que você pode começar rapidamente e jogar por um minuto ou hora (ou horas, quem sabe). Não há história. Os movimentos são simples. Você pode emprestar para quem nunca jogou um videogame na vida e essa pessoa vai entender o que fazer em alguns minutos.

Minha avó era uma dessas pessoas. Ela nasceu em 1930, e não tinha nenhum interesse em jogos. Mas eu, uma criança no início nos anos 90, acordei em uma manhã de sábado e encontrei meu Game Boy na mesa da cozinha, sem pilhas após uma maratona na madrugada feita por ela. A alegria demonstrada por ela ao receber um Game Boy Pocket roxo como presente de aniversário arruinou o momento que alguma pessoa ganha um presente para mim. Ninguém jamais ficará tão feliz ao abrir um presente dado por mim. E eu sei que não aconteceu apenas comigo. Todo mundo conhece alguém que, mesmo sem interesse nenhum em jogos, se apaixonou por Tetris.

Jogos portáteis – ou os de smartphones e tablets de hoje – atravessaram um longo caminho desde que Tetris aterrissou no Game Boy e fez com que pessoas tivessem pesadelos com blocos que não paravam de cair. Hoje em dia você pode jogar um jogo de tiro realista cheio de zumbis em uma touchscreen colorida que cabe no seu bolso – e ainda carrega toda a internet nela.

Mas os mais populares jogos móveis já criados são os que se encaixam nos moldes de Tetris: incrivelmente simples, instantaneamente compreensíveis, e quase impossíveis de se vencer.

Talvez você e seus amigos entusiastas de tecnologia joguem vários outros jogos mais desenvolvidos em seus dispositivos portáteis. Mas as pessoas ao redor de você na sua mesa de jantar, ou no vagão do metrô, ou no escritório ou aeroporto, provavelmente consomem algum tipo de jogo com uma ave brava ou desajeitada. Um jogo que deve seu design e existência ao Game Boy e a Tetris.

Então isso é para você, Alexey Pajitnov. Você teve que esperar até 1996 para começar a ganhar com a sua criação, mas mesmo hoje, 30 anos depois do lançamento, nós ainda apreciamos a sua obra de arte.