No ano passado, a TIM gastou nada menos do que R$1,6 bilhão na compra da AES Atimus, um braço da Eletropaulo que conta hoje com grande parte da rede de fibra óptica do estado. Agora, a empresa pretende lançar sua própria internet caseira, com preço semelhante à concorrência e com a ideia clara de desvencilhar a marca Live TIM da banda larga móvel da empresa.

O serviço será lançado em setembro, e por isso a TIM anunciou possíveis números, mas todos cheios de asteriscos: o plano básico, que promete 25 Mbps de download e 5 Mbps de upload, deve custar R$109. Deve porque a empresa ainda não fechou se esse é o valor ideal, e as discussões são para diminuir o valor — para efeito de comparação, o plano de 30 Mbps da extinta Telefônica, agora Vivo, custa R$119.

Para um discurso que envolve “massificar a internet rápida no Brasil” e diminuir o que a TIM chama de “cultura da internet ruim” (internet devagar = navegação precária e pouco uso de serviços que requerem mais banda, como Netflix), R$109 ainda nos parece um tanto alto. Mas a empresa se apoia na liberdade: não há necessidade alguma de ter uma linha telefonica fixa para ter o Live TIM, nem o serviço será vendido em combos, que normalmente mais enrolam o cliente do que facilitam a vida. (Apesar disso, a TIM terá uma parceria com a Sky, mas não deu muitos detalhes — e imaginamos que não envolverá pacotes, certo?)

2 mil pessoas já estão testando o Live TIM no Rio de Janeiro e em São Paulo, em bairros selecionados e não divulgados, e 56 mil pessoas se inscreveram no site com interesse na novidade. Falando em Rio e São Paulo, eles serão o principal foco da TIM no lançamento do Live. “Nós queremos fazer bem feito no Rio e em São Paulo”, disse Rogério Takayanagi, presidente da área de fibra da TIM. O argumento é de que as cidades contam com os dois maiores PIBs do país e, para um serviço que custará mais de R$100, isso parece fazer sentido. Sobre expansão, a TIM diz que já conta com 28 mil quilômetros de fibra (graças à compra da AES Atimus, principalmente), e que tem um “projeto agressivo” para as 40 cidades brasileiras que concentram 70% do PIB.

Segundo Rogério, a rede de fibra da empresa ainda pode ajudar a rede móvel da TIM, que passa por turbulências: com mais antenas, o congestionamento da rede de sinalização pode diminuir — o que, segundo ele, é o principal motivo dos problemas da empresa no 3G. Mas o que a fibra da TIM quer mesmo é se distanciar do móvel neste primeiro momento: a ideia é “construir uma reputação da TIM fixa”. Rogério diz que a TIM não acredita na tal convergência do fixo com o móvel, tática que a Vivo tenta emplacar. “A correlação entre convergência e problemas é alta”, disse. Ou seja, 3G é 3G, fibra óptica é fibra óptica é o mantra da TIM.

Apesar de prometer altíssimas velocidades — havia computadores conectados à fibra de 75 Mbps no evento — e preços não tão populares, a TIM vislumbra 18% de market share em 5 anos. Isso porque a promessa da fibra, que não é de hoje, é de que a conexão nunca mais caia, que seja algo contínuo e que o usuário nunca mais tenha que ficar no telefone anotando protocolos e batendo boca com atendentes.

Ficamos no aguardo dos preços e velocidades finais que a TIM pretende ofertar, mas somos a favor da internet ultra veloz. Ela é realmente um bem para a internet como um todo, já que o hábito de navegação limitada surgiu pela venda de planos de 1 Mbps com traffic shaping e esperteza das concessionárias, que tinham o aval de só oferecer 10% do prometido — na fibra, pelas normas da Anatel, o mínimo a ser entregue é 60%. Mas acreditamos que a TIM terá dificuldades em desvincular o mar de reclamações da telefonia móvel — sua principal operação no país — de um serviço mais “premium”. E vocês, o que acham? [Live TIM]