Durante anos, blogueiros de tecnologia lamentaram a mesmice chata dos celulares. “Eles são todos tábuas de vidro e metal”, queixávamos-nos em 2016. “O design de smartphones estagnou.” Hoje em dia, o mesmo poderia ser dito de muitos dispositivos eletrônicos, todos envelopados em um alumínio escovado genérico e plástico preto que não inspira muita fascinação. Felizmente, a solução para esse problema é tão simples quanto óbvia: deixe a gente ver o lado de dentro deles.

A alegria da tecnologia translúcida era clara para os fabricantes de gadget da virada do século. A Nintendo lançou o N64 com mais de meia dúzia de variantes transparentes, e o case translúcido do iMac original talvez fosse seu melhor recurso. Esses designs te revelavam exatamente o que esses dispositivos deveriam ser: divertidos. Infelizmente, depois de deixar a glória da luz de deus entre em nossa tecnologia, nós coletivamente viramos as costas a isso em meados dos anos 2000, dando início ao que só pode ser definido como era negra do design translúcido.

Alguns podem atribuir o fim da translucidez à natureza fundamentalmente fugaz das tendências estéticas, mas acho que tenho uma explicação melhor. Os fabricantes de gadgets estão com medo. Eles não querem que saibamos o que está acontecendo dentro de seus produtos, não querem que vejamos os minúsculos chips e fios que facilitam as habilidades místicas de seus produtos.

Felizmente, duas empresas finalmente reuniram coragem suficiente para nos mostrar o trabalho por trás da cortina. Na semana passada, a Sony anunciou que lançaria uma edição limitada e translúcida do PS4 Pro, e, na terça-feira, a Microsoft listou um controle Xbox parcialmente translúcido em seu site.

Foto: Microsoft

Ainda assim, essas ofertas são, na melhor das hipóteses, um meio-termo. Para uma translucidez colorida de verdade, inspirada nos anos 2.000, modificações são realmente sua única opção. A comunidade de Nintendo Switch alcançou conquistas encorajadoras nessa frente, por exemplo.

Os haters, previsíveis tentando ser do contra, provavelmente negarão os méritos óbvios de se fazer dispositivos translúcidos novamente. “Se você quer algo mais interessante”, eles dizem, “compre um adesivo como todos os outros”. Nenhum adesivo, é claro, vai trazer o que eu estou realmente procurando: uma espiada nas entranhas. Um lembrete dos bons tempos. Um reconhecimento de que, apesar do que os profissionais de marketing querem que você acredite, todas essas coisas são apenas brinquedos.

Imagem do topo: Valentin Kozin (Flickr)