A Uber perdeu sua licença para operar em Londres novamente. De acordo com o órgão regulador de transporte da cidade, Transport for London (TfL), a empresa mostrou um “padrão de falhas”, incluindo “várias violações que colocavam os passageiros e sua segurança em risco”. A Uber diz que vai recorrer da decisão. Novamente.

“Embora reconheçamos que a Uber fez melhorias, é inaceitável que a Uber tenha permitido que os passageiros entrem em carros com motoristas potencialmente não licenciados e sem seguro”, disse Helen Chapman, diretora de licenciamento, regulamentação e cobrança da TfL, em comunicado ao Gizmodo.

A Uber perdeu a licença de operação pela primeira vez em setembro de 2017 por “falta de responsabilidade corporativa”, mas os problemas mais recentes da empresa envolvem brechas no sistema de verificação de motorista da Uber. A companhia permitiu que os motoristas que foram banidos da plataforma usassem as contas de outras pessoas, criassem novas contas e continuassem a transportar passageiros.

Do TfL:

Uma questão importante identificada foi que uma alteração nos sistemas da Uber permitiu que motoristas não autorizados fizessem o upload de suas fotos para outras contas de motoristas da Uber. Isso permitia que eles pegassem passageiros como se fossem o motorista solicitado na corrida, o que ocorreu em pelo menos 14.000 viagens – colocando a segurança e a proteção dos passageiros em risco.

Isso significa que todas as viagens não eram seguras e algumas viagens de passageiros ocorreram com motoristas não licenciados, um dos quais já teve sua licença revogada pela TfL.

A TfL reconhece que a empresa está trabalhando para combater a fraude cometida por motoristas, mas não está claro se a Uber fez o suficiente. A preocupação da TfL, de acordo com seu comunicado, é que os sistemas da Uber foram “facilmente manipulados” e o órgão regulador não parece ter nenhuma confiança de que a Uber saiba proteger os passageiros.

A Uber disse ao Gizmodo que irá recorrer da decisão e “continuará operando normalmente” em Londres no futuro próximo.

“A decisão da TfL de não renovar a licença da Uber em Londres é extraordinária e errada, e nós iremos apelar”, disse Jamie Heywood, gerente geral regional da Uber para o norte e leste da Europa ao Gizmodo por e-mail.

“Mudamos fundamentalmente nossos negócios nos últimos dois anos e estamos estabelecendo o padrão de segurança. A TfL nos considerou uma operadora adequada há apenas dois meses e continuamos a ir além”.

Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, também se pronunciou sobre o assunto no Twitter:


Tradução: Nós entendemos que devemos atender a padrões rigorosos, como deveria ser. Mas essa decisão do TfL está errada. Nos últimos 2 anos, mudamos fundamentalmente a maneira como operamos em Londres. Chegamos muito longe – e vamos continuar, para os milhões de motoristas e passageiros que confiam em nós.

A Uber tem permissão legal para continuar operando até que um juiz tome uma decisão final.

Existem cerca de 45.000 pessoas que dirigem para a Uber em Londres, de acordo com a empresa, mas esses motoristas não dependem necessariamente apenas da Uber para permanecer no negócio. A Ola, com sede na Índia, vem se expandindo internacionalmente e recebeu uma licença de 15 meses em Londres pela TfL em julho. A Bolt, com sede na Estônia, anteriormente conhecida como Taxify, também opera com uma licença em Londres, apesar de ter tido seus próprios desentendimentos com a TfL no passado.

Por seu lado, a Uber diz que suas políticas de segurança são ainda mais rigorosas que os táxis tradicionais, algo que o Gizmodo não pôde verificar independentemente.

“Nos últimos dois meses, auditamos todos os motoristas em Londres e fortalecemos ainda mais nossos processos”, disse Jamie Heywood, da Uber, ao Gizmodo. “Dispomos de sistemas e verificações robustos para confirmar a identidade dos motoristas e em breve introduziremos um novo processo de correspondência facial, que acreditamos ser o primeiro em táxi e aluguel particular de Londres”.