Nada da Uber é pequeno. Quando estava na fase de arrecadar dinheiro, o unicórnio dos transportes recebeu cerca de US$ 25 bilhões. Ela não só perdia dinheiro todo trimestre, de acordo com os relatórios financeiros, como perdeu valores astronômicos em pouco tempo. Ao finalmente estrear na Bolsa de Valores de Nova York nesta sexta-feira (10), em meio à incertezas no comércio internacional e depois de uma greve de seus próprios motoristas, é óbvio que as coisas não seriam diferentes.

De acordo com Jay Ritter, professor da Universidade da Flórida, a queda de 7,62% nas ações da Uber desde que elas começaram a ser negociadas na NYSE foi “maior do que as perdas em valor nominal no primeiro dia de qualquer outro IPO nos EUA”.

Em termos de perdas percentuais, a queda acentuada da Uber é a quarta pior da década entre IPOs de mais de um bilhão de dólares, segundo a Bloomberg. Mas a questão está mesmo nos valores nominais. Esse declínio de apenas um dígito no percentual resultou em perdas estimadas de US$ 618 milhões em ações para quem comprou os papéis a US$ 45 na abertura.

A avaliação impressionante da empresa fez com que, em termos nominais, ela estivesse “entre os 10 maiores IPOs de todos os tempos”, incluindo empresas de fora dos EUA, Ritter disse ao Gizmodo em uma entrevista por telefone.

Considere também que a avaliação de mercado de US$ 76,5 bilhões do Uber foi uma queda considerável. Analistas avaliavam a empresa em um valor entre US$ 90 bilhões e US$ 120 bilhões há apenas um mês — e eles já levavam em conta a queda desde de o IPO do concorrente Lyft. Essa posição defensiva pouco fez para impedir que a Uber ou seus investidores caíssem tanto em um único dia de negociações na bolsa.

De acordo com um analista, a empresa pode vir a obter lucro por volta de 2024. Porém, seu único plano até agora é continuar pagando pouco para motoristas e posteriormente substituí-los por tecnologia uma tecnologia de direção autônoma que ainda não teve sua segurança comprovada. Como o ex-CEO Travis Kalanick disse em 2014, “o Uber é caro porque você não está pagando só o carro, você também está pagando para o cara que está dirigindo”.

Os investidores provavelmente estão percebendo que o que estão comprando é uma empresa tão insustentável que até agora não mostrou muito mais do que perdas irrecuperáveis.

[Rolfe Winkler, Bloomberg]