A tecnologia touch é quase onipresente hoje em dia, sendo a principal forma de interação entre um usuário e seu smartphone através da touchscreen, ou então em outros dispositivos, como caixas eletrônicos ou até mesmo totens de informação espalhados por shoppings centers. Mas, por melhor que seja a nossa atual relação com esses dispositivos sensíveis ao toque dos nossos dedos, a verdade é que as coisas poderiam ser muito melhores. E, dependendo de um engenheiro dos EUA, logo elas serão.

David Caldwell, personagem de uma excelente matéria publicada na Forbes, é um dos homens responsáveis pela revolução da tecnologia touch. No começo dos anos 2000, ele chegou a conversar com a Apple sobre a possibilidade de usar a tecnologia capacitiva TouchSensor desenvolvida por ele nas click wheels dos iPods. Não deu certo: no fim das contas, a Apple acabou usando outra tecnologia, mas a criação de Caldwell acabou conquistando o mundo do mesmo jeito.

O engenheiro possui mais de 30 patentes, sendo a maior parte delas relacionadas a tecnologias touch. Esses botões TouchSensor, usados em máquinas de lavar roupa e máquinas de refrigerante, por exemplo, foram inventados por ele, mas a tecnologia foi vendida para outra empresa em 2007 por US$ 65 milhões.

E, ao receber a bolada, Caldwell decidiu dedicar mais tempo da sua vida criando novas formas de interação com tecnologias touch. Ele parece estar perto de solucionar um dos maiores problemas enfrentados pelos dispositivos touch atuais. Como explicou a Forbes:

A maioria dos produtos sensíveis ao toque, como os usados no iPhone e em outros dispositivos de computação pessoal, são conhecidos como sistemas “capacitivos”. Eles sentem quando e onde um objeto — normalmente um dedo — quebra um campo elétrico. Para ativar o sinal de toque, engenheiros colocaram uma camada muita fina acima do superfície para medir a mudança capacitiva. É por isso que um toque leve é tudo o que você precisa fazer para operar um smartphone.

Mas fatores ambientais podem causar estragos em sistemas capacitivos. Quem nunca discou acidentalmente para algum amigo com o smartphone no bolso da calça, ou teve dificuldades ao tentar fazer uma chamada com as mãos molhadas ou usando luvas? Durante a fabricação, mesmo a menor variação, como uma camada uniforme de tinta ou adesiva, ou uma alteração na umidade, pode afetar os circuitos e mudar como um painel touch funciona como um todo.

O que Caldwell tenta fazer então é solucionar essa questão. No que ele pensou? Em um sistema hipersensível que usa uma área maior sobre a superfície para capturar e processar mais informações de um campo elétrico. Com isso, o sistema não apenas conseguiria detectar que algo — como um dedo — quebrou esse campo elétrico, mas também consegue verificar a velocidade na qual o objeto viaja, quando ele para, e a sua posição final nos eixos x e y. Assim, ele consegue detectar com precisão quando de fato é o seu dedo que está tocando a superfície — ou seja, você de fato está querendo mexer no seu smartphone.

A tecnologia de Caldwell já está pronta e a sua empresa — chamada AlSentis — já começa a espalhá-la pelo mercado. A Chevrolet deve usar botões com a tecnologia HSS de Caldwell no retrovisor do carro em substituição a outros de tecnologias antigas, por exemplo, mas a aplicação da tecnologia do engenheiro pode ir muito além da indústria automotiva — as mesmas máquinas de refrigerante que usam botões TouchSensor, por exemplo, poderiam substituir os botões velhos por novos. [Forbes]

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