Até então, a varíola dos macacos era uma doença endêmica da África Ocidental. A história começou a mudar na última semana, quando foram reportados os primeiros casos da infecção no Reino Unido. 

Depois veio Portugal, Espanha, Canadá, EUA e vários outros. Até sábado (21), a Organização Mundial da Saúde havia confirmado 94 casos da doença, com outros 28 casos suspeitos — incluindo na Argentina. No total, as infecções foram relatadas em 15 países que não são endêmicos para o vírus. 

Geralmente, casos de varíola dos macacos relatados fora da África estão relacionados a turistas que estiveram no continente. Não é este o caso. 

David Heymann, ex-chefe do departamento de emergências e atual conselheiro da OMS, levanta a hipótese de que o surto se originou em duas raves que aconteceram na Espanha e na Bélgica, em que pode ter ocorrido a transmissão sexual do vírus entre homens gays e bissexuais.

Até então, não há provas de que o orthopoxvírus seja causador de uma infecção sexualmente transmissível (IST). Ou seja, ele não parece se espalhar pelo sêmen ou fluidos vaginais. Por outro lado, a doença gera lesões no corpo, permitindo que a doença seja disseminada pelo contato próximo e também por roupas e lençóis. 

Por enquanto, apenas a Bélgica instaurou uma quarentena para os cidadãos infectados. Bastou a confirmação de dois casos para que o país europeu decretasse o isolamento de 21 dias para pessoas diagnosticadas com a varíola dos macacos. Quem teve contato com os pacientes não precisam se afastar da sociedade, mas devem ficar de olho nos sintomas.

Nenhuma morte foi associada ao surto recente. A recuperação parece ocorrer de forma gradual sem necessidade de internação. Até o momento, não foram relatados casos no Brasil, mas um brasileiro que vive na Alemanha foi diagnosticado com a doença.