Você conhece a situação: 11 da manhã, o café da manhã já ficou para trás, o estômago vazio manda uma pergunta para o cérebro: e o almoço? Você, então, começa a pensar nas opções disponíveis: o restaurante barato? Aquele com a comida mais saborosa? Pedir alguma coisa para não precisar sair do escritório? Pois saiba que existe mais uma variável para pesar na sua escolha: o Volto Sempre, um programa de fidelidade para restaurantes em que você acumula pontos e troca por prêmios.

O Volto Sempre funciona como vários programas de pontos existentes por aí: você acumula conforme gasta e depois troca sua pontuação por prêmios de um catálogo bastante amplo. Ele não tem cartão, mas funciona com um app no seu smartphone, e o cadastro pode ser feito na hora, diretamente no tablet que fica no restaurante com o aplicativo para lojistas instalado, usando apenas o valor gasto e o número de celular.

Fundada em abril de 2015, a startup teve a ideia de criar uma solução profissional para fidelizar clientes. “Nós vimos que o mercado de restaurantes já investia em fidelidade, mas de uma maneira quase informal: cartãozinho para almoçar de graça depois de um número de refeições, gelatina grátis depois do almoço, convênio com empresas”, explica João Pinheiro, sócio-fundador do Volto Sempre. “O que nós fizemos foi levar a solução de grandes empresas para os restaurantes.”

Os estabelecimentos “compram” os pontos do Volto Sempre (100 pontos por real) e escolhem que porcentagem darão os clientes. “Alguns já deram até 25% do valor da conta”, diz Pinheiro. Outra vantagem é que os restaurantes podem escolher dias ou horários para oferecer uma pontuação melhor para os clientes e, assim, direcionarem a demanda. “Às vezes a sexta-feira é mais fraca, ou o restaurante fica mais vazio depois das 13h. Com o Volto Sempre, o restaurante pode oferecer algo a mais para o cliente vir num horário mais vazio, sendo que o custo da mesa e da comida já foi pago. Isso ajuda a liberar mais espaço num horário mais cheio.”

Hoje, o Volto Sempre já tem parceria com 30 restaurantes, a maioria na região da Berrini, em São Paulo. A meta deles é ter 500 restaurantes até o fim do ano — como lembra Pinheiro, são 28 mil estabelecimentos existentes em São Paulo. “Nós pensamos em expandir por regiões, para o participante enxergar valor no Volto Sempre, com vários restaurantes próximos”, diz o sócio-fundador.

Cubo

O Volto Sempre foi uma das startups selecionadas para serem residentes do Cubo, espaço de coworking do banco Itaú e o fundo de capital Redpoint eventures inaugurado em São Paulo há pouco menos de um mês.

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“A seleção das startups digitais é liderada pela Redpoint e pelo diretor do Cubo, Flávio Pripas”, explica Erica Janini, superintendente de gestão de tecnologia do Itaú Unibanco. “O critério de seleção leva em conta a capacidade do empreendedor, a relevância do negócio para o mercado ao qual se destina e a capacidade de transformação da sociedade.”

Pinheiro conta que o processo de seleção foi dificílimo. “Eu passei um dia preparando a apresentação, mas o Pripas já conhecia o ramo, então tudo que eu tinha preparado foi por água abaixo”, confessa, rindo. “Mas, no final, deu tudo certo.”

Localizado na zona sul da capital paulista, o Cubo tem mais de 5.000 m² de área e capacidade para abrigar até 50 startups. Além do espaço físico, ele oferece mentores especializados, educação técnica e networking. “Nosso objetivo é oferecer acesso ao que há de mais novo e avançado no mercado de tecnologia e inovação, bem como apresentar tendências vindas do setor e academia”, explica Erica.

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A troca de experiências entre diferentes startups já está rendendo frutos. “Como as startups resolvem problemas específicos, há muita complementariedade entre algumas delas. Já temos casos de oferta de produtos híbridos, misturando soluções de empresas vizinhas lá no Cubo”, diz Erica.

E as startups não têm prazo para sair do espaço, diferentemente do que acontece em outras experiência do tipo. “O Cubo não é um programa de aceleração. As startups são avaliadas semestralmente e a permanência continua caso faça sentido para o Cubo e para as startups”, explica Erica. “Sabemos que é um mercado dinâmico e esperamos que tenhamos muitas empresas que cresçam lá dentro a ponto de precisarem de um espaço maior.” Hoje, o Volto Sempre conta com 10 funcionários e, além de residir no Cubo, está em um escritório na zona sul de Sào Paulo.

Crise e oportunidade

Num momento econômico que Erica chama de “desafiador”, pode soar estranho tamanha empolgação com o cenário de startups, mas a verdade é que elas parecem estar blindadas da turbulência econômica que afeta o país.

“Temos visto grande número de investimentos realizados pelos fundos que já estão ativos no Brasil, e sabemos que a capitalização dos fundos de investimento no Brasil está no ponto mais alto da história”, explica Erica. “O que enxergamos um mercado de startups relativamente descolado do PIB. O e-commerce tem crescido a 25% ao ano, mesmo com o PIB estagnado. O mundo online ainda está crescendo mais do que o off-line, e essa tendência deve continuar nos próximos meses.”

Se as startups vão bem, obrigado, o mesmo não pode se dizer do ramo de restaurantes: segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) apresentados pelo Volto Sempre, o faturamento do ramo caiu 8,39% no primeiro trimestre de 2015, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Pode parecer um contra-senso investir em fidelização neste momento, mas Pinheiro diz que é justamente o contrário. “Já tivemos casos de restaurantes que aumentaram o faturamento em 25% com o Volto Sempre. Com o acesso a uma ferramenta que só estava disponível para grandes empresas, nós estamos ajudando o setor de restaurantes a sair da crise. Isso é o que me motiva.”