Seis anos atrás, a sonda espacial Voyager 1 informou aos cientistas que havia se tornado o primeiro objeto fabricado pelo homem a entrar no espaço interestelar. Agora, a Voyager 2 começou a retornar sinais de que a sua própria saída do Sistema Solar pode acontecer em breve.

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Dois instrumentos da Voyager 2 mediram um aumento no número partículas de alta energia, chamadas de raios cósmicos, que estão atingindo a sonda, conforme o comunicado da NASA. Cientistas acreditam que a heliosfera, a região de partículas e campos magnéticos que estão sob influência do Sol, bloqueia alguns raios cósmicos. Um aumento nessa taxa significa que a sonda pode estar se aproximando da heliopausa, a barreira externa da heliosfera.

Isso pode ser indício de algumas coisas que estão por vir. “Vamos aprender muitas coisas nos próximos meses, mas ainda não sabemos quando chegaremos à heliopausa”, disse o cientistas Ed Stone do Voyager Project, conforme o comunicado. “Ainda não estamos lá – isso é algo que posso dizer com confiança”.

As sondas Voyager 1 e 2 foram lançadas em 1977 com o objetivo de explorar Saturno e Júpiter. A Voyager 1 posteriormente embarcou em sua missão para além do Sistema Solar, enquanto a Voyager 2 foi capaz de retornar dados de Urano e Netuno, antes de começar sua própria jornada. As sondas fizeram descobertas, enviaram dados importantes e nos mostraram imagens icônicas de planetas. Cientistas ainda operam as naves 40 anos depois de seus lançamentos, embora as missões tenham mudado – agora, as sondas exploram os limites do Sistema Solar, periodicamente enviando dados via ondas de rádio.

A Voyager 1 mediu um aumento dos raios cósmicos em maio de 2012 antes de cruzar a heliopausa três meses depois – a medição foi acompanhada de um aumento repentino na densidade do plasma ambiente. Talvez a Voyager 2 esteja se aproximando da barreira, também, embora um cientista de Princeton que utiliza dados da Voyager, Jamie Rankin, salientou ao Gizmodo que a Voyager 2 ainda não atingiu nem o espaço interestelar.

Randy Gladstone, cientista do Southwest Research Institute na missão da New Horizons, explicou porque cruzar a heliopausa com uma segunda sonda é importante: “Assim como todas as coisas, fazer algo pela segunda vez significa comprovar que você realmente entende aquilo ou não. A cruzada da Voyager 2 está em um local muito diferente, e embora os modelos atuais possam ser ajustados para isso, é praticamente certo que esses modelos são muito simples para entendermos os dados perfeitamente. Sempre aprendemos muito nessas situações (e é uma das grandes razões pelas quais temos Voyager 1 e Voyager 2)”.

É difícil dizer se Voyager 2 deixará o Sistema Solar em breve. Mas é outro lembrete do quão incrível essas missões são. A Voyager 2 está atualmente a 17 bilhões de quilômetros de distância do Sol, 118 vezes a distância entre o Sol e a Terra. A Voyager 1 está a mais de 20 bilhões de quilômetros de distância do Sol, o que equivale a 144 vezes a distância entre o Sol e a Terra. Ainda assim, elas são capazes de nos enviar dados científicos interessantes e, sim, explorar o espaço mesmo além da influência do Sol.

[NASA/JPL-CalTech]

Imagem do topo: Ilustração mostra a localização da Voyager 1 e 2. Crédito: NASA/JPL-CalTech