O WhatsApp tem estado no centro de vários episódios políticos e eleitorais ao redor do mundo. No Brasil, isso também aconteceu e, aos poucos, começamos a entender melhor o papel do app de mensagens. A mais recente revelação é de que 400 mil contas foram banidas no período das eleições de 2018 por violar os termos de uso da plataforma.

A informação foi dada pelo próprio WhatsApp em um ofício enviado ao senador Angelo Coronel (PSD-BA), presidente da CPMI das Fake News. Segundo a Folha, a solicitação do parlamentar era bastante abrangente.

No documento enviado ao WhatsApp, o senador solicitou que a empresa fornecesse dados não criptografados, incluindo números de telefones e nomes de perfis de todas as contas suspeitas banidas pelo aplicativo por uso potencial de robôs, por fazer disparos de massa e disseminar notícias falsas e discurso de ódio durante as eleições de 2018.

O app, porém, ressaltou que só mantém esses dados por seis meses e, por isso, não tem detalhes de quais foram as contas banidas. Mesmo assim, algumas informações estavam disponíveis pois estavam relacionadas a casos judiciais eleitorais ou tinham sido usadas em divulgação de informações para tribunais eleitorais.

O WhatsApp diz que não verifica conteúdo das mensagens para banir as contas, mas, sim, o comportamento e a adequação aos termos de uso da plataforma. As regras proíbem o uso de aplicativos e robôs para impulsionar mensagens ou para criar contas e grupos de maneira não autorizada.

Nas eleições de 2018, a Folha apurou que empresários contrataram empresas de marketing para fazer disparo em massa de mensagens de WhatsApp contra o PT. Uma das empresas, inclusive, apagou os registros do sistema usado para o envio das mensagens. Uma reportagem do UOL também disse que o PT usou do mesmo expediente.

Em outubro de 2019, pela primeira vez, um executivo do WhatsApp admitiu que o aplicativo foi usado para o envio em massa de mensagens para fins eleitorais.

Bastante popular em países emergentes, o WhatsApp se tornou uma parte importante das estratégias eleitorais, servindo muitas vezes como canal para disseminação de notícias falsas e desinformação. Isso aconteceu também no México e na Índia, por exemplo.

O app tem tomado medidas para tentar conter iniciativas desse tipo. O limite para encaminhar mensagens, que já foi de 200 destinatários por vez, caiu para 20 e depois para apenas cinco, numa tentativa de diminuir a velocidade que fake news se espalham na plataforma. As mensagens que são encaminhadas ou que estão sendo muito distribuídas na plataforma também ganharam sinalizações específicas, numa tentativa de diferenciá-las do que é conteúdo pessoal.

[Folha de S.Paulo]