Depois que o Facebook comprou o WhatsApp por US$ 19 bilhões, muitos usuários começaram a migrar para alternativas de chat móvel. Por quê? Talvez por receio que a rede social estrague o serviço, ou por medo de que violem sua privacidade. Por isso Jan Koum, CEO do WhatsApp, se pronunciou hoje: “o respeito por sua privacidade está em nosso DNA… nossos princípios não vão mudar”.

E o WhatsApp ganhou funções de privacidade. Sabe aquele aviso “visto por último às”, indicando a última vez que você entrou no chat? Pois bem, é possível desativar isto.

O recurso chegou ao Android e também está presente no iPhone. Basta ir em Ajustes/Configurações > Conta > Privacidade e tocar na opção “horário de última vez visto”, escolhendo entre as opções todos, meus contatos e ninguém. Se você não está vendo essas opções, calma: a atualização está sendo distribuída aos poucos para os usuários.

Também é possível decidir quem verá sua foto de perfil e seu status. Antes, tudo era liberado para quem tinha seu número de celular.

Ah, e quanto ao tique duplo nas mensagens? Como sempre, relembramos: isto não significa que a pessoa leu a mensagem – ele indica “somente que a mensagem foi entregue”, como esclarece o FAQ.

WhatsApp privacy settings

Jan Koum, em post no blog oficial do WhatsApp, diz que valoriza a privacidade de forma pessoal. Ele nasceu na Ucrânia e viveu na União Soviética; sua família se mudou para os EUA devido, em parte, ao receio de ser espionado pela KGB – o que restringia sua liberdade de expressão.

Ele ainda diz que o WhatsApp não sabe tanto assim sobre você:

O respeito por sua privacidade está em nosso DNA, e nós criamos o WhatsApp com o objetivo de saber o mínimo possível sobre os usuários: você não tem que nos dar seu nome, e não pedimos seu endereço de e-mail. Nós não sabemos o seu aniversário, nem seu endereço residencial, nem onde você trabalha. Nós não sabemos dos seus gostos, nem o que você procura na internet, nem coletamos sua localização GPS. Nenhum desses dados foi coletado e armazenado pelo WhatsApp, e nós realmente não temos planos de mudar isso.

Koum ainda diz que “se o Facebook nos obrigasse a mudar nossos valores, não teríamos feito a parceria”. Isso se encaixa com relatos de que o Google teria oferecido US$ 20 bilhões para cobrir a oferta do Facebook, mas o WhatsApp não aceitou: fontes dizem que, para Koum, seu produto seria integrado a outros (Hangouts?) e deixaria de existir. No Facebook, ele continuaria operando de forma independente.

Mas como é que o Facebook vai recuperar os bilhões gastos no WhatsApp? Afinal, Koum prometeu em fevereiro que o chat terá “zero anúncios”, e ainda será oferecido por uma taxa anual de US$ 1. Mas isso significa uma receita anual de uns US$ 450 milhões (é o número de usuários do WhatsApp) – o lucro certamente seria menor.

Então ou Koum terá que voltar atrás, ou esta é uma medida estratégica: talvez Mark Zuckerberg queira que “o Facebook seja o próximo Facebook” – como diz Bill Gates – e esteja disposto a tudo para evitar a ameaça de concorrentes, mesmo que isso lhe custe alguns bilhões.

Há quem ainda esteja cético: o grupo EPIC (Centro de Informação para a Privacidade Eletrônica) entrou com uma queixa no órgão americano FTC, dizendo que os usuários do WhatsApp não deveriam simplesmente confiar na palavra da empresa, dado que o serviço processa 50 bilhões de mensagens por dia. Eles querem uma investigação federal nos EUA, o que pode ou não acontecer.

O grupo alemão ULD, que também defende a privacidade de dados, recomenda que usuários deletem o WhatsApp. Eles também já se posicionaram diversas vezes contra o Facebook no passado. [WhatsApp Blog via Wall Street Journal]

Imagens via iDownloadBlog e Android Police; atualizado às 12h50