Ainda estamos no primeiro dia do terceiro mês de 2012, mas já é possível dizer que o mercado de tablets em 2013 será completamente diferente do que vemos hoje. Tudo isso porque a disputa pelo atual segundo lugar de mercado será feroz: enquanto o Google tem dificuldades para emplacar os tablets com Android, a Microsoft promete fazer um estardalhaço com o Windows 8. E ela tem uma tática que pode dar certo: cativar os desenvolvedores, que basicamente enxergam o iOS como única plataforma viável para desenvolvimento.

A presença do Windows 8 e do Android para tablets na MWC, em Barcelona, mostra o que podemos esperar: enquanto a primeira fez uma empolgada apresentação, lotada de promessas para os desenvolvedores — “em termos econômicos, nossos apps são os melhores” — o Google admitiu dificuldade em vender tablets e atrair desenvolvedores. Já a Microsoft tem outros planos, como explica Nilay Patel, do The Verge:

A abordagem da Microsoft é oposta [a do Google]: ela aposta muito em sua nova interface Metro, para telas sensíveis ao toque. Desenvolvedores não poderão vender apps sem ser Metro na Windows Store, e apps que não forem Metro não rodarão em máquinas baseadas em ARM. Isso é importante; a Microsoft não parece nada tímida em assumir que o Metro e o ARM são o futuro da plataforma, e ela gastou boa parte de seu evento ontem, sobre o Windows 8 Consumer Preview, para falar dos destaques dos apps Metro para os desenvolvedores grandes e pequenos. “Em termos econômicos, temos o melhor sistema de apps”, disse Antoine Leblonde, da Microsoft. O Google não faz esse tipo de promessa. No geral, o Google simplesmente confia que os desenvolvedores criarão bons apps para tablets com Android, enquanto a Microsoft está os empurrando para o Metro e oferecendo uma recompensa grande para aqueles acreditarem nela.

A filosofia do Google parece oposta ao proposto pelo iPad. Andy Rubin, diretor do Android, disse que não há necessidade de desenvolvimento específico para tablets, e que os desenvolvedores devem adaptar seus apps já prontos, para diminuir o processo. Assim, o Google não quer criar um mercado dedicado às telas maiores. No fim das contas, uma das primeiras críticas ao iPad — “ei, ele é um iPhone gigante!” — se aplica aos tablets com Android: na parte de apps, eles são esticados, como se eles fossem grandes smartphones.

Sem os desenvolvedores do seu lado e com dificuldade de conseguir espaço no mercado, os tablets com Android podem sofrer com o Windows 8. Além de aparentemente ser um sistema consistente — Mat Honan e Sam Biddle, do Gizmodo americano, disseram que o “Windows 8 beta em um hardware beta é melhor do que qualquer tablet com Android que usamos” — ele é um Windows. Trata-se de um nome forte para o consumidor comum que usa o sistema diariamente. Pode parecer cedo para dizer, mas o Google precisa, e muito, se mexer se não quiser perder de vez a corrida — pelo segundo lugar, veja bem — do mercado de tablets.