O app de videoconferências Zoom finalmente irá adicionar criptografia de ponta a ponta nas chamadas de pessoas que usam a versão gratuita do serviço, semanas depois de anunciar que a opção estaria disponível para usuários premium.

Em abril, o Zoom sofreu ação judiciária de acionistas que alegavam que o serviço enganava sobre o uso da criptografia de ponta a ponta, prevenindo intercepções de conteúdos da conversa a menos que alguém tenha acesso a um dos dispositivos envolvidos. O aplicativo utilizava uma criptografia menos segura, possibilitando que o serviço monitorasse conteúdos das conversas e quem estava participando delas.



Isso irritou algumas pessoas em posições importantes, como os senadores dos EUA Sherrod Brown e Richard Blumenthal, que iniciaram investigações por práticas de segurança duvidosas. As coisas pioraram depois de uma reportagem indicar que algumas chaves de criptografia estavam sendo geradas na China, onde elas teoricamente poderiam parar nas mãos de autoridades de estado.

Ao mesmo tempo, o Zoom estava crescendo exponencialmente devido à pandemia do novo coronavírus. O aplicativo ainda se mostrou vulnerável ao “Zoombombing“, em que trolls invadiam chamadas de vídeo e transmitiam imagens sexuais ou sanguinolentas.

O Zoom anunciou que implementaria criptografia de ponta a ponta em maio, mas apenas para usuários que pagassem pelo seu plano mensal de US$ 14,99. Em junho, a companhia ainda teve que esclarecer as declarações do CEO Eric Yuan de que a Zoom não poderia oferecer a criptografia para usuários gratuitos porque isso poderia atrapalhar a cooperação com a polícia e o FBI (a empresa precisou tranquilizar os usuários que as autoridades precisariam apresentar um mandado antes de acessar quaisquer dados).

Segundo a Bloomberg, após duas petições pedindo que o Zoom adotasse a criptografia elevada para todos os usuários terem coletado 70.000 assinaturas, a empresa finalmente cedeu e vai lançar o recurso para todo mundo – independentemente de eles estarem pagando ou não.

Em um blog post nesta quarta-feira (17), Yuan escreveu que a empresa buscou conselhos de “organizações de liberdade civil, nosso conselho de diretores de segurança da informação, defensores de segurança de menores, especialistas em criptografia, representantes de governos, nossos próprios usuários e outros” para tomar essa decisão. O conflito é que todos os usuários do Zoom que quiserem utilizar a criptografia de ponta a ponta agora precisarão verificar suas identidades com uma mensagem de texto ou outro método.

“Temos também o prazer de compartilhar que identificamos um caminho que equilibra o legítimo direito de todos os usuários à privacidade e à segurança dos usuários em nossa plataforma”, escreveu Yuan.

Essa não é a única confusão em que o Zoom se meteu. Durante os últimos meses, a companhia suspendeu diversos indivíduos e organizações por terem lembrado da data do Massacre da Praça da Paz Celestial, incluindo o presidente da Hong Kong Alliance, Lee Cheuk-Yan, e a Humanitarian China, uma organização baseada nos EUA. O Zoom afirmou posteriormente que cometeu um erro ao impor a censura chinesa fora das fronteiras do país, mas ao mesmo tempo reafirmou seu compromisso de censurar usuários dentro da China, de acordo com a lei local.