Quando o bicheiro Carlinhos Cachoeira distribuiu celulares achando que eram antigrampo, ele errou feio: as linhas foram interceptadas pela Polícia Federal e geraram 36 volumes só com a transcrição das escutas. Agora descobrimos que mesmo o bicheiro estava envolvido com interceptação – só que de e-mails. Quem foi o responsável, e quem foi hackeado?

Segundo a Folha, um parceiro de Cachoeira contratou uma empresa de interceptação ilegal de e-mails, a Etesp (Escola Técnica de Segurança Privada), no que pode ser nossa versão nacional de Os Homens Que Não Amavam As Mulheres. A empresa foi um dos alvos da Operação Monte Carlo, e a Justiça pediu que computadores, CDs, DVDs e pen drives fossem recolhidos para apurar possíveis crimes, como violação de sigilo.

Quem foi hackeado? Os detalhes são escassos. Há suspeitas de que políticos e jornalistas tenham sido vítimas de interceptação, mas o Ministério Público Federal e a PF dizem em relatórios que ainda não descobriram os nomes de todos que foram hackeados.

A Etesp é comandada por um agente aposentado da Polícia Federal, Joaquim Gomes Thomé Neto. E quem teria contratado a empresa é Idalberto Matias, o Dadá, apontado como o responsável do grupo em obter informações sigilosas para Cachoeira.

As conversas descobertas parecem restritas a Dadá e Thomé – nada de uma Lisbeth Salander no meio, infelizmente. Eles conversavam apenas por meio de códigos, diz a PF, “mas no contexto das conversas resta claro que falam de correios eletrônicos interceptados ilegalmente”. Os advogados de Dadá e Cachoeira negam tudo à Folha.

O bicheiro Carlinhos Cachoeira voltou às manchetes nas últimas semanas, depois de preso e acusado de comandar quadrilha que operava máquinas caça-níqueis. Suas conversas telefônicas grampeadas com o senador Demóstenes Torres, até então uma principais vozes em Brasília no combate à corrupção, fizeram o senador sair da liderança no Senado e do próprio partido.

Demóstenes é acusado pela PF de ser sócio de empresas que exploravam jogos ilegais, e responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal. Há movimentação no Congresso para cassá-lo, e para instaurar uma CPI do caso Cachoeira. [Folha e FSP (assinantes)]

Imagem via NMap.org