Em 2003, você toma um porre, tiram uma foto e você, bobo, coloca no Fotolog. "A Marimoon tinha um, hoje ela está na MTV, não deve pegar nada", você pensa (já prevendo o futuro). Corta para 2010, alguém que está querendo saber mais sobre você para uma vaga de emprego – ou uma pessoa interessada em um relacionamento mais sério – joga seu nome no Google e encontra a infame imagem. E xingamentos gratuitos em um fórum de games; Ou uma mensagem no Twitter falando mal do chefe; ou um vídeo em uma reportagem de um site grande chorando pela banda ruim que você gostava, como adolescente de gosto duvidoso que era. Somando todas as informações que você já forneceu sobre você mesmo na internet, o que fazer com a superexposição, muitas vezes inconsciente? Há gente que defende uma mega borracha virtual.

O pesquisador alemão Harold van Heerde, da Universidade de Twente, acredita que o melhor caminho seria ir apagando aos poucos as velhas informações que são guardadas – até hoje, não existe nenhum tipo de lei que faça as empresas apagarem seus dados (sim, estou olhando para você, Google). O medo do doutor é a comum fragilidade da internet atual: não é difícil imaginar pessoas com intenções não muito boas tendo acesso a dados, seja por quebra de sistemas ou compra de informação. Em entrevista a BBC:

“Pessoas cometem erros e pessoas podem ser subornadas”, diz. “Você não pode proteger essas informações, você não tem certeza de que elas não foram divulgadas, as políticas de privacidade são simplesmente fracas. (…) Na maioria dos casos, não há nenhuma razão para guardar informação por tanto tempo”.

Se a teoria de van Heerde entrasse em ação, os dados que você já colocou em diversos sites iriam desaparecer aos poucos. E em casos futuros você decidiria se quer ou não que a informação suma com o tempo. Mas você saberia escolher quais dados deveriam sumir e quais deveriam ficar? Tempos atrás, um ex-presidiário belga não conseguia arranjar emprego porque era só jogar seu nome no Google para descobrir seu crime, publicado em um jornal. Para tentar resolver o problema, o site do jornal mudou o nome do ex-presidiário para suas iniciais. Mas estamos certos em querer que parte da história online – que já faz parte da Hstória tradicional – seja apagada, criando buracos, como parágrafos censurados? Em dois artigos recentes de seu Obundsman, a Folha de S. Paulo já deixou claro que não reescreverá a história em suas reportagens. Como avaliar as exceções?

A discussão sobre privacidade na internet aumentou nos últimos tempos em razão das redes sociais, principalmente pelo Facebook. Mas o problema pode ser muito maior: redes sociais de geolocalização, cada vez mais comuns e populares, não só guardam suas informações e comentários, como mostram para todo mundo onde você está ou já esteve. O Twitter já avisou que adicionará em pouco tempo uma ferramenta de geolocalização, para delírio de ladrões que entendem de internet, como os caras do site pleaserobme.com ou ex-namorados obsessivos.

O caminho para não ficar exposto ainda é o mais óbvio: não abusar do exibicionismo. Grande parte da privacidade ainda depende apenas do próprio usuário. Mas a exposição inconsciente no Facebook ou em qualquer outra rede é comum, muitas vezes por falta de tato do usuário – o Pérolas do Orkut está de prova – mas também por falta de controle dentro da internet. Em uma pesquisa recente da Universidade da Califórnia em Berkley mostrou que 88% dos jovens americanos de 18 a 24 anos acham que deveria haver algum tipo de lei que forçasse os sites a apagarem informações pessoais depois de algum tempo. Precisaremos disso? [BBC]