Em pleno domingão, a bomba: um sistema das maiores operadoras de telefonia móvel do Brasil capaz de identificar e bloquear aparelhos não homologados pela Anatel passará a funcionar em 2013. A grande dúvida: isso afetará smartphones trazidos de fora? Com vocês, as respostas.

Falamos agora há pouco com a assessoria da Sinditelebrasil, o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal, sobre a questão.

O foco da iniciativa, fruto de um investimento conjunto de R$ 10 milhões bancado por Claro, Oi, Tim e Vivo, é mesmo barrar a enxurrada de aparelhos piratas e de baixíssima qualidade encontrados no Brasil todo. Mas a medida pode respingar na outra ponta — gente que sai do país para comprar os últimos lançamentos, os melhores e mais caros smartphones do mercado. Como ficam eles nessa história?

Antes de tudo, vale lembrar que quaisquer aparelhos habilitados antes da entrada em funcionamento do sistema, mesmo os declaradamente piratas, estarão livres do bloqueio. Então se você já tem um aparelho importado, não precisa se preocupar.

E se está nos seus planos comprar um modelo de smartphone já homologado pela Anatel, não tem problema algum. Para quem traz um iPhone 5 de fora, por exemplo, nada muda — já que ele é homologado aqui. Smartphones caros não são o foco dessa ação, e nem faria sentido barrá-los se o objetivo for mesmo bater nos celulares xing-ling. Por isso, não importa se seu aparelho foi homologado: importa se seu modelo de celular já passou pela Anatel.

E como eles sabem disso? Através do IMEI. Todas as verificações serão feitas através do IMEI, um código único que todo celular possui. Ele é capaz de dizer, dentre outras coisas, a marca e o modelo do aparelho em questão, o que torna viável o sistema das operadoras.

O ponto mais delicado, porém, reside nos modelos não homologados. Não por serem ruins, ou piratas, mas por outros motivos diversos — pense na HTC, que não tem mais representação no Brasil, ou nos Nexus, que sempre passam por uma novela antes de serem liberados no país. A Sinditelebrasil nos informou que o sistema ainda está sendo estruturado e que, para essa questão, ainda não tem uma resposta. Como o foco são celulares xing-ling, achamos que as operadoras arranjarão alguma forma de não implicar com smartphones importados – já que a própria Receita Federal permite trazer do exterior celulares de até US$500. E ainda há tempo para encontrarem uma solução: o sistema só começa a funcionar em meados de 2013, segundo a Sinditelebrasil.

Há alguns benefícios em ver um sistema como este funcionando por aqui. Além da melhorar a qualidade da rede, que com menos pontos deficientes (leia-se “celulares ruins”) passará a ter menos quedas de ligações, a saúde dos usuários também entra na conta — sem a certificação da Anatel, não dá para saber se esses importados de baixa qualidade fazem algum mal. E a longo prazo, o sistema será estendido para o bloqueio de celulares roubados ou perdidos. Mas ainda há algumas questões a se resolver.

Foto por John.Karakatsanis/Flickr