A NASA acaba de confirmar que a sonda Dawn entrou na órbita do planeta-anão Ceres: é a primeira vez que a humanidade envia uma espaçonave para lá. O objetivo? Descobrir segredos sobre o início do sistema solar.

A sonda ficará no lado escuro de Ceres durante um mês: por isso, ela só deve capturar e enviar novas fotos do planeta-anão em abril – é quando sua principal missão científica vai começar.

E os astrônomos já têm alguns mistérios a resolver. Em 19 de fevereiro, a Dawn tirou fotos da superfície de Ceres e encontrou dois pontos muito brilhantes. Será que um asteroide expôs gelo da parte interna? Seriam depósitos de mineral criados por gêiseres?

Carol Raymond, pesquisadora da missão Dawn na NASA, diz que esses pontos “são únicos no sistema solar”, e que o mistério “nos deixou bem entusiasmados em resolvê-lo”.

Como explica o USA Today, cientistas sabem que Ceres já teve um oceano gelado em seu núcleo, e provavelmente ainda o tem. É possível que a radioatividade no interior do planeta derreteu parte do gelo, criando um lago ou um mar.

Mark Sykes, membro da equipe científica da sonda, diz ao USA Today: “isso levanta a questão, se água é igual a vida, a vida poderia ter evoluído sob a superfície de Ceres?” A Dawn vai procurar por ela na superfície do planeta-anão.

Ceres e pontos brilhantes
Crédito: NASA/JPL

Ceres foi descoberto em 1801; na verdade ele é o primeiro objeto encontrado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Dois séculos depois, estamos prestes a compreendê-lo melhor, graças à exploração espacial. O planeta-anão está a 500 milhões de quilômetros da Terra.

A sonda foi lançada em 2007, em uma missão de US$ 473 milhões, para explorar dois corpos celestes no cinturão de asteroides. Em 2011, ela visitou o asteroide Vesta; agora é a vez do planeta anão Ceres.

Ambos surgiram no início da formação do sistema solar, mas se desenvolveram de forma diferente. O Vesta é um objeto seco e possui uma superfície desgastada; o Ceres, no entanto, tem uma superfície de minerais e água. A ideia é comparar a evolução de ambos e “avançar bastante o nosso conhecimento de como o sistema solar se formou”, segundo a NASA.

HAMO e LAMO

Como explicamos, a Dawn terá diferentes fases da órbita enquanto se aproxima do Ceres numa trajetória em espiral:

  • agora, a sonda está na “órbita de reconhecimento”, e ficará nela por três semanas;
  • depois, ela entrará na órbita de mapeamento de alta altitude (HAMO), a 1.470 km do planeta-anão, o que demorará seis semanas; a sonda ficará dois meses nessa órbita;
  • por fim, ela vai chegar a 375 km de distância na órbita de mapeamento de baixa altitude (LAMO), onde ele irá coletar dados até o final da missão.

A Dawn ficará na órbita de Ceres por anos, mesmo após a sua missão principal terminar em junho de 2016: não há combustível (hidrazina) o suficiente para missões em outros lugares do Sistema Solar. [NASA, USA Today, CNN]

Imagem inicial: NASA/JPL