A Deezer vai ganhar uma nova cara: o serviço de música via streaming terá, a partir do dia 19 deste mês, uma nova interface baseada em cards e novos recursos para apresentar novos artistas aos seus usuários.

Na manhã desta quarta-feira, Axel Dauchez, CEO da Deezer, apresentou as novidades ao comemorar o momento atual do serviço: são mais de 5 milhões de assinantes espalhados por mais de 180 países. Ao todo, 12 milhões de pessoas ouvem música pela Deezer mensalmente, incluindo planos pagos e gratuitos. Mais de 30 milhões de músicas já estão disponíveis no acervo da Deezer – diariamente, 27 mil novas canções são adicionadas.

Nova interface

deezer

A nova interface está disponível para alguns usuários beta e nas próximas semanas chegará a todos. Ela também aparecerá nos apps para iOS e Android – e, até o fim do ano, Windows 8 e Windows Phone. Ela é baseada em cards (como o Google Now) e duas áreas da Deezer foram bastante modificadas.

Deezcubra

São as recomendações. A área foi reformulada – você pode encontrar artistas novos a partir de estilos e sub-gêneros (escolha Hip-hop, por exemplo, e depois filtre para “Rap americano”). As sugestões são feitas a partir de algoritmos – neste caso, elas aparecem de acordo com artistas parecidos com os que você gosta – ou editores da Deezer – pessoas espalhadas pelo mundo que sugerem músicas novas para os usuários. Você pode ver nesta área quais são os lançamentos mais recentes, assim como o que usuários do serviço espalhados pelo mundo estão ouvindo no momento.

Deeztaques

A página inicial ganhou um novo nome e foi completamente repensada. “Deeztaques”, é isso mesmo, mostra um feed com músicas que podem interessar a você, recomendações (tanto de algoritmos quanto de editores), músicas compartilhadas por amigos (gostou de algo e acha que aquele seu amigo vai gostar também? A sugestão aparecerá no feed dele), lançamentos mais recentes de bandas que você gosta, entre outras coisas. O feed é atualizado diariamente, e os cards não são descartáveis. Não gostou de algo que apareceu? Bem, paciência. O card ficará por lá de qualquer jeito.

iOS e Android

As mesmas funcionalidades da versão para desktop estarão também nos apps de iOS e Android. O Deezcubra, Deeztaque e tudo mais. Outra novidade é a inclusão dos aplicativos – a Deezer libera sua API para desenvolvedores que quiserem criar aplicativos para ela. Atualmente são cerca de 100 apps disponíveis para serem instalados, e agora também acessíveis via smartphones – um deles, chamado Deutsche Grammophon, sugere música clássica, e agora você pode ver essas recomendações também quando estiver na rua.

Deezer para Mac (e futuramente Windows)

Mathieu Le Roux, diretor da Deezer para a América Latina, falou também sobre um novo aplicativo para Mac. O Deezer para Mac é um programa – como um iTunes da vida – para você ouvir suas músicas fora do navegador, mas ainda dentro da Deezer. Ele abre como um player tradicional e é dividido em três abas – suas músicas, busca e recomendações. O objetivo dele é facilitar o uso do Deezer para quem ainda tem músicas em mp3 no computador.

Como assim? Este app pega a sua biblioteca do iTunes e sincroniza com a Deezer. Assim, suas músicas que não estão no acervo do serviço poderão ser acessadas pela Deezer também – de um jeito bem mais simples do que o atual, em que você precisa enviar arquivo por arquivo para ter as canções disponíveis pelo serviço.

A versão para Mac deve ser lançada nas próximas semanas em fase beta, enquanto a previsão é que entre o fim deste ano e o começo de 2014 uma versão de Windows seja disponibilizada.

“Um mercado ainda na infância”

Foram essas palavras que Le Roux usou para definir o mercado de música via streaming. Não são muitas as pessoas que pagam para ouvir música pela internet pelo mundo ainda. Le Roux estima que, juntando todos os serviços do mundo, a quantidade de assinantes seja algo entre 20 e 25 milhões. Faz sentido – o Spotify, o maior de todos, tem 6 milhões de assinantes.

Mesmo ainda na infância, o mercado aparentemente chegou a um grande momento de expansão. Com os 5 milhões de usuários atuais da Deezer, o serviço mais do que dobrou sua quantidade de assinantes em relação a 2012 – eram 2 milhões. Números detalhados por região não foram divulgados, mas o Brasil tem grande participação nesse crescimento – o serviço abriu as portas por aqui no começo do ano e é o país que mais cresce em número de assinantes. O desafio, segundo Le Roux, é convencer quem está acostumado a baixar música ilegalmente e até quem compra pelo iTunes a abandonar esses meios e abraçar o streaming. É claro que os obstáculos para isso no Brasil são muitos – nossas redes 3G não muito confiáveis, por exemplo – mas a possibilidade de armazenar músicas para ouvir offline, por exemplo, ajuda muito.

O fato é que existe sim gente disposta a pagar para ouvir música no Brasil. Isso é bem perceptível não só pelos dados divulgados pela Deezer hoje – basta ver a movimentação de concorrentes. O Rdio já está aí há algum tempo, e o Napster estreou no Brasil faz alguns dias. O grande nome de todos – o Spotify – já cadastra usuários interessados em conhecer seus serviços – seu lançamento por aqui não demora muito. Le Roux não vê isso exatamente como um problema. “Para ser honesto, isso é muito bom no sentido de dar foco maior no mercado de streaming. Quatro ou cinco serviços diferentes falando ao mesmo tempo que streaming é o futuro ajuda a popularizar o mercado em geral”.