Para celebrar os cinco anos de Gizmodo Brasil, convidamos alguns leitores que estão por aqui desde os tempos mais primórdios para contarem o papel do blog em sua vida, formação e debates. O Juan Lourenço é um exemplo clássico para todos nós aqui: está aqui há anos, sempre com comentários pertinentes, ajudando a melhorar as discussões e sempre ajudando a equipe do Giz a fazer um trabalho melhor. Se você tiver alguma boa história para contar também, use a área dos comentários (ou me mande um email!). Vai que é sua, Juan:

Chega a não fazer sentido tentar apontar em que momento a informática entrou na minha vida. Ela sempre esteve lá, desde que tive condições de usar alguma coisa que tivesse botões e telas brilhantes. É verdade que os botões eram duros e amarelados e as telas verdes e de tubo, mas aos poucos (e cada vez mais, aos muitos) tudo evoluiu ao ponto de ser impossível separar do nosso cotidiano. Celular, computador, televisão, câmera… são tantas opções, marcas e lançamentos diários que é quase impossível acompanhar.

Enquanto crescia passei por Mega Drive, Super Nintendo, PC (Counter Strike!) e XBOX. O tijolo da Motorola virou um pequeno Nokia, um estranho Siemens, um belo Sony, um fino Samsung e um avançado LG. As televisões emagreceram e cresceram, o ultrabook de 1Kg e potência de sobra substituiu o desktop. Tudo ficou sem fio e cada vez mais rápido.

Acompanhar isso nunca foi tarefa fácil, principalmente na era das revistas, que aos poucos começaram a trazer CDs – muitos deles com maravilhosas horas grátis de conexão discada! Mas eu queria acompanhar, como provavelmente você quer já que está aqui, porque adora tecnologia, se encanta com cada novidade, com as possibilidades, as facilidades que elas podem trazer, e as telas brilhantes… quem não gosta de meter o dedo engordurado em telas brilhantes?

E falando em conexão, na Internet tudo ficaria mais fácil. Notícias em tempo real e de graça – obrigado anunciantes! – mas enquanto a quantidade de sites especializados em gadgets só perde para a de páginas de humor no Facebook, a qualidade é bastante contestável. Recheados de cópias e opiniões-que-não-opinam, ou que opinam cegamente, todos sentiam falta de conteúdo realmente novo e honesto, que soubesse do que está falando sem ser desnecessariamente técnico. Até 2008.

Cinco anos Sr Gizmodo Brasil, parabéns!

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(O Juan no aniversário do Giz de 2 anos. Parece que foi ontem!)

Não tenho o mínimo pudor em dizer que considero este um dos melhores exemplares de como se fazer jornalismo tecnológico, porque ninguém deveria se satisfazer com avaliações de produtos que não opinam, com reviews em cima do muro e que no máximo comparam especificações técnicas. O que importa é bem diferente disso, quero um site que me diga o que achou daquele brinquedo novo como se fosse um amigo, apontando no que ele é melhor ou pior na prática, porque tecnologia é meio e não fim. Menos Ghz e pixels, mais experiência, sensação, simplicidade, utilidade, diversão.

Nesse meio tempo me formei em Administração de Empresas apesar de ser programador, webmaster e blogueiro de fundo de quintal. Não me arrependo. Hoje além de um trabalho bacana, tenho um projeto de negócio à procura de investimento completamente ligado à informática e que seria impossível planejar sem a graduação. E tenho dois sites. E escrevendo para um terceiro. E já participei de podcast. E muito disso, graças ao Gizmodo.

Enquanto plantava árvores pelo eco4planet, participava diariamente dos comentários desde o início do Giz e, acredite, há muito mais do que trolls e fanboys, há gente bacana de verdade, afinal, estamos aqui por uma mesma paixão, de todos os cantos do país ou até de fora, e foi assim que uma turma acabou se aproximando, se adicionando nas redes sociais, se encontrando pessoalmente e, alguns deles “formamos” o 2Centavos, nosso despretensioso blog para reviews de basicamente tudo.

Escrever para o Papo de Homem também é uma honra, e é aí que complemento o porque de considerar que devo muito disso a este site em que você está. Não se trata apenas de ter feito amigos na área de comentários, também fiz amigos entre os que controlam esta bagaça, acabei conhecendo também editores da “concorrência”, blogueiros de outras áreas e curiosamente tudo foi se interligando. Entre amizades, leitura de bons e, às vezes, enormes textos, discussões aprofundadas ou até com uma cerveja no bar, credito a essa turma boa parte da minha capacidade argumentativa, técnica de escrita e até de caráter.

Obrigado de verdade ao staff atual, em especial Leo e Felipe, aos sempre memoráveis Burgos, Kelvin e Ghedin, e à turma de comentaristas old school que continuam sempre aqui, fazendo novos amigos, cultivando boas discussões e valorizando o melhor conteúdo. Todos os dias.