Agora que a Kodak está falida, só restam boas histórias do passado para contar. Mas esta aqui poucos sabiam: a Kodak tinha, num porão, um pequeno reator nuclear com 1,6kg de urânio enriquecido. Por quê? Era tudo em nome da fotografia.

O reator CFX não era exatamente um segredo, mas quase ninguém sabia onde ele estava. Alguns documentos do governo americano e estudos científicos o citam, mas nem mesmo a Kodak o anunciou oficialmente. O motivo? Questões de segurança: mesmo que 1,6kg de urânio seja pouco para uma bomba (que exige cerca de 45kg), e mesmo que seja difícil roubar urânio instalado num reator, depois do 11/9 os EUA ficaram bem mais cautelosos.

O reator, ligeiramente maior que uma geladeira, ficava no centro de pesquisas Kodak Park, em Rochester, NY (EUA). Segundo o jornal local Democrat and Chronicle, a Kodak estava há décadas interessada em nêutrons, não só para usá-los em radiografia por nêutrons, como para verificar impurezas em produtos químicos – algo importante na fotografia não-digital.

A Kodak já usava pequenos reatores em centros de pesquisa, mas queria um para chamar de seu. Então, em 1974, eles compraram um CFX (multiplicador de feixe de nêutrons de califórnio), e o instalaram em um porão do Kodak Park. Pequenas placas de urânio enriquecido multiplicavam o fluxo de nêutrons que saía de um minúsculo núcleo de califórnio-252.

Um porão com paredes de 60cm de espessura protegia o reator, e a Kodak tinha diversos protocolos de segurança: apenas poucos funcionários autorizados podiam entrar lá, e nunca enquanto o reator estava ligado. Amostras de urânio eram enviadas ao reator via tubo pneumático.

E o que aconteceu com o reator? Um porta-voz da Kodak diz que ele foi desmantelado em 2006, “porque havia formas alternativas e mais baratas de se obter os resultados de análise”. O urânio foi removido em 2007, e levado para as mãos do governo americano. O porão, hoje, está vazio. [Democrat and Chronicle]