Apesar de termos por aqui soluções como o Sonora, do Terra, e a Rádio UOL (além do genial, mas bagunçado Grooveshark), a futuro da música na nuvem ainda é bem manco no Brasil. A maioria dos novos e antigos sites não estão disponíveis no país por questões legais. Mas, pelo menos em dois novíssimos casos, o Spotify e o Google Music, é preciso pouco esforço para mergulhar em milhões de músicas via streaming.

O Spotify já existe há alguns anos, mas funcionava em apenas seis países da Europa. Nos últimos dias, o serviço chegou oficialmente aos EUA disposta a ganhar o título de melhor e mais completo serviço de streaming legal de música. São mais de 15 milhões de músicas disponíveis e um sistema de sincronização com a biblioteca já baixada. Já o Google Music tem uma proposta diferente: servir como um “baú” para você guardar suas músicas e poder acessá-la em qualquer lugar. Ideias distintas, mas algo em comum: nenhum dos dois está oficialmente disponível no Brasil.

Mas isso é bem fácil de resolver. Nos dois casos, é preciso ser americano apenas para pedir o convite. E, oras, mudar proxy não é nada difícil, não é mesmo? Usando o Hide My Ass, por exemplo, você consegue requerer um convite em segundos. Estando em um proxy americano, é só entrar no site do Spotify e no site do Google Music.

E esperar.

Sim, é preciso esperar alguns dias para receber o convite. O Spotify gratuito está sendo liberado aos poucos, e o mesmo ocorre com o Google Music. Em ambos os casos, em menos de uma semana um e-mail irá pipocar em sua caixa de entrada com as instruções seguintes. E aí mora a mágica: daí para a frente, tanto faz se você é brasileiro, americano, austronésio ou até mesmo baixinho. Você pode desfrutar dos serviços sem mais dores de cabeça com proxy, VPN e afins.

No caso do Spotify, o serviço brilha no desktop: é necessário baixar um programa, um iTunes-like, porém bem mais leve. Nele, você pode sincronizar sua biblioteca local e usufruir de nada menos do que 15 milhões de músicas. A oferta é bem variada, a busca funciona direitinho e até artistas brasileiros estão bem representados — pelo menos os mais clássicos, claro. A interface é bonita, é possível compartilhar e receber recomendações e listas.

Porém, o modelo gratuito insere de tempos e tempos alguma publicidade sonora, falando de algum CD lançado ou algum produto. Para eliminá-los, é preciso assinar o plano mensal de US$ 5. O que mais incomoda é a ausência de versão móvel no plano gratuito e no plano básico. Ele só está presente no plano de US$ 10 mensais, que sincroniza tudo com seu Android, iPhone ou iPad. Mas se você acha que vale o esforço, vá na fé. O sistema é realmente impressionante.

Já o Google Music tem fatores decisivos para diminuir a empolgação do usuário. Apesar de funcionar como um webapp relativamente bonito, ele precisa de: 1) uma ótima conexão com a internet e 2) um aplicativo não muito bonito e prático. Isso porque o Google Music requer que o usuário faça o upload de suas músicas, coloque-as na nuvem e aí sim ouça em qualquer lugar. Ou seja, se você tem uma grande biblioteca em casa e uma conexão meia boca, o Music será mais doloroso do que prazeroso. O formato do aplicativo, o Music Manager, também é decepcionante. Mas após colocar para funcionar, o webapp funciona bem. Resta saber se os usuários passarão pelos tortuosos primeiros passos.

Ainda estamos brincando com os novos sistemas e dissecando cada funcionalidade, então espere por mais notícias. Portanto, pronto, em uma semana você pode conhecer um pouco mais de serviços que ainda não têm previsão de chegada no Brasil, e que mostram como será o futuro da música. Assim que receber, volte aqui e conte tudo para nós.