O Asus Transformer Prime, primeiro tablet quad-core do mundo, passou pelos testes de benchmark no AnandTech e Hot Hardware. O Prime tem processador Tegra 3 de quatro núcleos rodando a 1,3GHz, e nos benchmarks ele é mais rápido que os outros tablets, só que a diferença é bem pequena: o iPad 2 e o Galaxy Tab 7.0 Plus, com seus meros CPUs dual-core, estão próximos do Prime ou o superam. O que acontece?

Pelo visto, o software não foi otimizado para aproveitar bem os quatro núcleos. Mais especificamente, o navegador parece precisar de melhoras – e o navegador é uma peça chave no Honeycomb, já que há poucos apps adaptados para tablets com Android. No teste BrowserMark, o Prime fica muito próximo do Galaxy Tab 7.0 Plus; no teste Sunspider de JavaScript, o Prime perde para o Tab e para o iPad 2.

Isso vale para o modo normal do Tegra 3. Há três modos de desempenho no Prime, como explica o site The Verge: o modo normal roda o processador a 1,4GHz (1,3GHz se usar mais de um núcleo); o modo equilibrado (balanced) reduz a frequência para 1,2GHz; e o modo econômico (Powersaver) reduz o clock para 1GHz (600MHz se usar quatro núcleos). No modo equilibrado, o desempenho do Prime cai um pouco; no modo econômico, ele despenca.

Nada disso é relevante se a experiência de uso não refletir os números. Felizmente, já temos reviews do Prime. O que eles dizem? No The Verge: “deslizar entre as telas iniciais está mais rápido, mas a espera que frequentemente ocorre ao abrir menus ou alternar entre apps não sumiu completamente”. Eles não perceberam maior velocidade na multitarefa, e no navegador – objeto de análise dos benchmarks – “eu não percebi muita melhora”. No Engadget: o Prime é rápido, mas “ficamos decepcionados em ainda ver engasgos e travadas ocasionais de tempo em tempo”, mesmo no modo normal de performance.

Os núcleos do Tegra 3 se destacam quando se trata de jogos: por exemplo, o ShadowGun adaptado para Tegra 3 roda lindamente – aproveitando o suporte a joystick no Prime! – assim como outros jogos otimizados para a plataforma. Eis a palavra-chave: otimização. Não adianta ter mais potência se ninguém usar. Mas, por enquanto, são bem poucos os jogos que aproveitam o desempenho a mais – a adaptação de outros títulos “será um processo mais lento”, diz o The Verge.

Ainda assim, o Transformer Prime é incrível, e ainda mais com seu dock/teclado que lhe transforma em um laptop – vale ler os reviews do The Verge e Engadget. Mas concordo com o The Verge quando diz: “o laptop do mundo pós-PC precisa de software à altura”. [AnandTech e Hot Hardware via Gemind]