A Google TV foi anunciada na quinta-feira. Acabamos não nos apressando para comentar porque queríamos explicar tudo direitinho e mostrar sobre o que ela (não) representa para nós brasileiros. Pronto para conhecer a nova proposta do Google para dominar a sua sala? Três minutinhos.

 

É uma plataforma de software…

Você sabe como o Nexus One é um hardware feito pela HTC que roda o Android, um software feito pelo Google? É assim que a Google TV funcionará. Em resumo, a Google TV é uma plataforma. Um software. Os fabricantes terão de aparecer com seus aparelhos para fazê-la funcionar.

…Que a Logitech, Sony e DISH darão suporte…

Hoje, só temos certeza que veremos a Google TV em três lugares: um set top box da Logitech, TVs da Sony (e em um tocador de blu-ray) e no novo receptor da DISH, uma companhia de TV por satélite dos EUA. Não há previsão de lançamento de qualquer uma delas no Brasil. Todos esses equipamentos têm algumas coisas em comum: um processador Atom (ou melhor), placa de vídeo dedicada, saída HDMI, Bluetooth, infravermelho, Wi-Fi, e Ethernet, tudo isso com suporte a um teclado e algo para apontar, bem como controle remoto tradicional como o Logitech Harmony. Pelo que entendemos até agora, todos estes produtos estarão disponíveis na Best Buy dos EUA provavelmente em novembro de 2010.

…Que funciona com os receptores atuais de TV a cabo/satélite dos EUA…

Equipado com um controle para mudar os canais, a Google TV pode ficar junto da sua atual infraestrutura de áudio e vídeo. Então, mesmo que tenhamos novos aparelhos sendo fabricados, eles serão compatíveis com qualquer coisa que você esteja usando agora, com todos os pacotes de TV por assinatura pelos quais você pagou.

…Que funciona como a busca do Google…

Quando você ligar qualquer aparelho com Google TV, a sua tela inicial será uma barra de buscas simples. Você escreve o que quer assistir. Isso pode ser um canal de TV, permitindo a você sintonizar nele. Ou pode ser um programa, e a busca apontará para lugares onde você pode encontrar isso – seja por um canal da sua TV a cabo, Netflix ou algum lugar na internet.

…Que junta a web com a TV…

Digamos que você queira assistir a algo que só exista no serviço de streaming da Amazon. Você será levado à página da Amazon através do Chrome, onde o vídeo passará. É óbvio que vários sites parecerão meio horríveis em uma TV de alta definição, e por isso mesmo o Google pede a esses sites que os otimizem para a Google TV (kits de desenvolvedores serão disponibilizados em 2011). Com essa mistura de internet e televisão, dá para ver múltiplas fontes de informação em vários pedaços de tela. Então dá pra assistir um jogo enquanto se lê um blog com comentários em outro lugar da tela, ao mesmo tempo.

…Que combina a sua TV com o celular…

Graças às exigências de hardware da Google TV como Bluetooth e Wi-Fi, você poderá checar uma página no celular com Android e transmití-la na TV. Dá pra usar também o sistema de reconhecimento de voz do smartphone com Android, fazendo possível que você controle a TV só de falar com ela.

…Quer roda aplicativos…

Ah, a Google TV inclui acesso completo ao app store do Android. E o Google garante que basicamente qualquer aplicativos rodará direitinho na plataforma – sem contar os que usam funções específicas de celular, claro. Mas quando o SDK ficar disponível em 2011, podemos esperar aplicativos específicos para a Google TV também.

…Que roda coisas em Flash…

Eu tenho certeza que a platéia foi ao delírio na hora que foi feita essa demonstração. E quando o Google diz Flash, ele quer dizer vídeos e jogos.

…Que ainda tem alguns truques na manga…

Até agora, o Google mal começou a explorar as possibilidades do que parece ser uma integração sem paralelos entre o que a TV e a internet podem fazer, mas eles demonstraram pelo menos um negócio absolutamente sensacional: selecionar o closed caption junto com o Google Translate – legendando um programa em tempo real. Apenas tente dizer pra gente que isso não é genial. (Nós traduziremos qualquer comentário negativo para uma língua que não entendemos, em tempo real)

…Que não é o Chrome OS…

Sabe o Chrome OS? A Google TV e seus aplicativos não têm qualquer coisa a ver com ele. Não no momento, pelo menos.

…E que não funcionará no Brasil decentemente.

Comprar temporadas de seriados no Netflix, ver programas que acabaram de passar por streaming, no Hulu, alugar filmes pelo Zune. Esses são alguns exemplos de coisas que os brasileiros não podem fazer por restrição de área. São justamente as coisas que a Google TV integra direitinho. Se tivéssemos substitutos à altura (A Saraiva Digital, infelizmente, não serve) até que poderíamos pensar, mas não é o caso. Além disso, a maioria dos nossos receptores de TV a cabo também é fajuta. Apenas nos pacote mais caros, digitais, temos caixinhas com mais funções, que poderiam ser integradas.

Ainda há um lobby para que o sistema "interativo" das TVs seja o Ginga, que ainda não decolou. E, para completar, a Sony nos falou que não há qualquer plano para trazer suas TVs com Google TV pra cá por ora. Mas bom, a ideia é bem legal e o que nos resta é esperar que dê certo, para que o Google e seus parceiros vejam a possibilidade de trazer coisas parecidas pra cá. A verdade, ao menos para mim, é que enquanto não posso comprar conteúdo decente e atual pela TV, procuro modelos que toquem arquivos .mkv sem problemas.