Hoje você talvez tenha lido que cientistas desenvolveram uma forma de realizar viagens mais rápidas que a luz. Muita cautela nessa hora, pois já queimamos a língua recentemente, então não deixemos que aconteça uma vez mais. Os cientistas realmente conseguiram quebrar a barreira da velocidade da luz?

De acordo com a teoria especial da relatividade de Einstein, a velocidade com que a luz viaja no vácuo é o limite de velocidade universal. Esta é uma regra bem aceita — mas os cientistas adoram flertar com a ideia de quebrá-la.

Mais rápido que a luz…

Esse grupo inclui pesquisadores do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologias (NIST) dos EUA, que vêm tentando explorar uma brecha na regra, de que algo viajando mais rápido que a luz poderia ser visto. Isso é informação e a brecha reside em forçar um pulso a se propagar através de um segundo pulso. Se o segundo pulso estiver se movendo a uma velocidade próxima à da velocidade da luz, em tese deveria ser possível fazer o primeiro viajar a uma velocidade superior à da luz.

O que é, em muito, exatamente o que os pesquisadores do NIST fizeram se você ler o paper deles no Physical Review Letters. Eles pegaram aquele conceito (que é antigo e já foi feito anteriormente, mas tão mal que os resultados saíram bem detonados) e deram-lhe outra chance.

Os cientistas do NIST usaram um conceito chamado mixagem de quatro-ondas. Soa complexo, mas é apenas uma forma de combinar sinais de diferentes frequências de forma a produzir um novo sinal contendo quatro frequências separadas. Na prática, eles pegaram pulsos “sementes” de 200 nanosegundos de duração de uma luz de laser e miraram um em uma célula aquecida contendo vapor de rubídio. Dali eles bombearam um segundo feixe em uma frequência diferente. Os dois feixes interagiram um com o outro e com o vapor, para produzir um novo pulso que continha em si um segundo pulso móvel. Os resultados sugerem que esse pulso-dentro-do-pulso foi mais rápido que a luz. Ótimo!

Mas além do ponto

Espera. Não, não tão ótimo assim. O pulso teve uma vida incrivelmente curta (não levou praticamente tempo algum para ele se propagar pela distância do pulso que o carregava) e ele na prática não faz nada. Ele começa, então para. Na realidade, é pouca coisa mais do que um pequeno truque matemático. O que os cientistas estão observando aqui é a propagação de um pequeno fragmento de informação (logo, nada realmente importante) movendo-se pouca coisa mais rápida que a velocidade da luz.

Se por um lado é tentador dizer que isso pode representar o despontar de dados que se movem mais rápido que a luz, por outro isso não é bem verdade. Veja, isso é um dado quântico: não é um belo bit binário, um “um” ou “zero”, mas uma confusão disforme que poderia ter qualquer valor. Além do que não temos controle algum sobre ele.

Então, sim, algo se moveu mais rápido que a velocidade da luz e sim, dessa vez foi pra valer. E, sim novamente, é impressionante sob o ponto de vista de uma ciência física bem abstrata. Mas isso não vai derrubar a teoria de Einstein, nem revolucionar a física. Logo, eu não ficaria muito empolgado. [Physical Review Letters via The Register. Foto: Reha Mark/Shutterstock]