Uma equipe de astrônomos e engenheiros quer reproduzir a atmosfera de uma gigante vermelha – como a que você vê acima, nesta imagem do Hubble – só que aqui na Terra. Máquinas vão produzir grãos de poeira interstelar, emulando as condições físicas e químicas do exterior de estrelas moribundas.

projeto Nanocosmos vai construir três máquinas de cinco metros de comprimento que trabalham com hidrogênio, carbono, nitrogênio, oxigênio, silício, titânio, ferro e outros metais a 1.500ºC. Elas terão custo estimado de € 5 milhões (cerca de R$ 16 milhões).

O astrônomo José Cernicharo, que ajudou na criação do projeto, diz em entrevista ao jornal espanhol El Mundo que se trata de algo complicado, mas totalmente factível:

“Queremos, de certa forma, trazer uma estrela a nossos laboratórios. Obviamente, é um objeto muito complexo, com reações em seu núcleo. Nós não vamos reproduzir uma estrela, e sim a atmosfera dela, onde se forma a poeira interestelar.”

E como é possível imitar um processo desses? “Vamos construir várias câmaras de simulação, duas na Espanha e uma na França, para estudar os diferentes processos físicos e químicos que criam essas pequenas partículas de poeira interestelar.”

Mas por que recriar essa poeira interestelar seria importante? O astrônomo explica:

Os grãos de poeira que se formam em torno de estrelas moribundas (gigantes vermelhas, nebulosas planetárias e também supernovas) são ejetados para o meio interestelar onde, depois de milhões de anos, eles se misturam em novas nuvens interestelares, que dão origem a estrelas e planetas, alguns rochosos como a Terra. Nós sabemos sua composição, mas não sua estrutura ou o processo fundamental que os formam.

O projeto contará com 40 engenheiros e astrônomos de todo o mundo. Ele combinará experimentos de laboratório com observações astronômicas; por isso, ele irá utilizar o telescópio ALMA no Chile e vários radiotelescópios. [El Mundo]

Atualizado às 14h33