Então você quer um headset. Um daqueles bem bons pra fazer chamadas no Skype, mas também para ouvir música e jogar Team Fortress 2 com o volume nas alturas sem enlouquecer os outros seres humanos adjacentes enquanto xinga abertamente o Spy que abriu as suas costas em um backstab vindo do nada? E que tal se esse mesmo headset pudesse também servir como substituto para aquele bem miserável que vem com o Xbox 360? Pois esses são os principais pontos que o Siberia Neckband, da Steelseries (uma grife de hardware voltada especificamente para gamers, que o Giz resenhou antes aqui) usa para se vender. Mas será que ele vale tanto quanto parece valer? Os pontos positivos e negativos deste sonoro hardware você encontra depois do continue*.

resenha-steelseriessiberia-foto2

É foda! [+]

[+] Alto e bom som. Pouco antes de receber o Siberia para testar, eu havia comprado um LX-3000 da Microsoft. A primeira coisa que notei nele foram os graves totalmente estourados, tanto que tive que fazer uma equalização especial para ele no iTunes. Com o Siberia isso não rolou. Os graves e os agudos apareciam em igual (e forte) intensidade, fazendo com que os solos de Rivers Cuomo soassem tão bem quanto eu jamais tinha ouvido.

[+] Bonito, hein? Logo de cara o que mais chama atenção no Siberia é a sua beleza. Ele é branquinho e tem um desenho que te faz ter vontade de pendurá-lo num lugar bem visível quando não estiver usando. Não é um atributo essencial, é verdade, mas contribui.

[+] Microfone retrátil. Pode me chamar de tosco, mas quando eu não usava headset, meu maior motivo para continuar não usando era a minha vontade de não querer ficar parecido com uma atendente de telemarketing, com aquele microfonão de bolinha na frente da boca. O Siberia tem um microfone minúsculo e retrátil – a haste flexível se encolhe para dentro do fone esquerdo –, tão discreto que ninguém vai sequer saber que ele existe se estiver recolhido. E mesmo assim capta a voz que é uma beleza.

[+] Não é USB. Voltando a falar do meu recém-comprado LX-3000, posso dizer que o pior aspecto dele é ser totalmente USB. Antes de saber como funcionava, eu achava que isso era bom, mas aí me surpreendi quando vi a merda que é: quando você usa um headset USB, o computador trata ele como outra caixinha de som, e o som nunca vai para os dois ao mesmo tempo. Então você precisa ficar toda hora abrindo o painel de dispositivos de reprodução de som no Windows para habilitar ou desabilitar o headset, e reiniciar o player de música/jogo/navegador/etc para que ele reconheça o novo dispositivo de som habilitado (caixinha ou headset). Só o fato do Siberia se conectar pelos bons e velhos cabinhos de áudio verde e rosa já é um belo ponto positivo nesse caso. resenha-steelseriessiberia-detalhe

[+] Compatível com jogar na sala. De longe, esse é o maior motivo para se comprar um desses, na minha opinião. O Siberia vem um cabinho extra especialmente pensado para quem não joga só no PC, mas no videogame também. Aliás, chamar de “cabinho” é um desserviço, porque o troço tem uns três metros, mais do que o suficiente para cobrir a distância TV/sofá na maioria dos casos. Uma ponta desse cabo tem o plug único que você liga na entrada de fones de ouvido da sua TV, mas a outra ponta, onde você conecta os cabinhos verde e rosa, é que tem a cereja do bolo: uma caixinha com aquele conector esquisito do headset do controle do Xbox 360. Com isso você tem o som da TV e dos moleques gringos homofóbicos de 13 anos jogando Halo, tudo no mesmo headset. Pra mim, no entanto, valeu mais para poder jogar o solitário Metroid Prime no Wii no meio da madrugada sem acordar ninguém, e mesmo assim ouvindo os sons do planeta Aether alto e claro.

resenha-steelseriessiberia-foto1

É foda… [-]

[-] Não compatível com a lei da gravidade. Assim como último ponto positivo é um baita motivo para se comprar um desses, este ponto negativo aqui é um motivo igualmente grande para se evitar a compra. Como você pode perceber pelas imagens, o troço é grande. E como você pode adivinhar, ele é relativamente pesado. O problema é que mesmo assim os fabricantes optaram por fazer ele com uma característica que só funciona nos headsets menores e mais leves: neckband. Para quem não sabe, isso significa que o arco que liga os dois fones não é daqueles que passa por cima do seu cocuruto, mas sim daqueles que passa por trás, pela nuca. Pense nisso: ele não tem apoio. Ele não se apóia na sua cabeça para não cair, como os outros headsets e headphones grandões. Ele se apóia na sua orelha! Desnecessário dizer que depois de meia hora de uso, suas orelhas ficam iguais às do anão Dunga — só que doídas. Isso se você ficar paradinho, porque se começar a bater cabeça ao som de heavy metal, o troço cai antes de chegar no primeiro solo. Eu sempre uso por pouco tempo, ou então segurando com as mãos (ou então deitado, a melhor solução de todas).

[-] Não vai até 11. Se você ligar o headset e colocar todos os volumes possíveis no máximo, sua cabeça não vai sangrar. Para mim isso não é nada, para outros é um defeito seríssimo.

[-] Onde? Quanto? Boa sorte para comprar um desses no Brasil. Não sei nem de onde o pessoal do Gizmodo conseguiu esse para testes! De início eu dei uma procurada nos agregadores de lojas (Buscapé, Bondfaro) e no MercadoLivre, e não achei esse modelo para vender. Aí depois descobri, pelo site da SteelSeries, uma lista de meia dúzia de lojas e sites especializados em e-sports onde você pode encontrar. No entanto, mesmo se você conseguir, prepare-se para um preço salgadinho em termos de headset: R$ 370 (valor sugerido). Há vários modelos bem mais caros, com certeza, mas isso não significa que ele seja o que chamamos de "acessível".

resenha-steelseriessiberia-foto3

A conclusão é que o Steelseries Siberia Neckband é recomendado para quem quer um headset realmente realmente bonito, que funcione com o videogame e tenha um cabo bastante longo para chegar até a TV. Para uso no computador, para ouvir música ou jogar por muito tempo seguido, sentado, ele não é nem um pouco confortável, apesar do som ser uma maravilha. Se você atende esses requisitos e estiver disposto a pagar o preço, mande bala.

 

* Fabio Bracht, que tem ânsia de vômito quando joga Metroid Prime, é editor do bacaníssimo Continue. Ele e seus camaradas do site vão escrever regularmente aqui no Gizmodo, ao preço de 250 rupees o post.