Sony Xperia Z1S: uma grande câmera num pacote elegante

A Sony finalmente acertou a mão no tablet lançado no ano passado, mas a empresa japonesa continua tendo dificuldades com seus smartphones. O Xperia Z — lançado no Brasil como Xperia ZQ, incorporando algumas características do Xperia ZL — foi o mais próximo do sucesso que a Sony conseguiu chegar, mas nos deixou querendo algo a mais. Então, ficamos realmente animados quando vimos o Xperia Z1S, que, no papel, parecia um campeão. Uma câmera de 20,7MP sem um calombo na traseira? Hum, interessante. Conta mais…

O que é?

Um smartphone Android com uma tela 1080p de 5 polegadas, com uma câmera de 20,7MP e um processador Snapdragon 800 quad-core de 2,2GHz. Além disso, ele é à prova d’água e suporta meia hora a 1,3m de profundidade. Nos EUA, ele é exclusivo da T-Mobile. Ainda não há previsão de chegada no Brasil, mas você já pode comprar o Xperia Z1, que é praticamente o mesmo smartphone, apenas com menos capacidade de armazenamento (16GB em vez de 32GB, ambos com entrada para cartão SD) e outro posicionamento para a saída de fones de ouvido. Além disso, a versão brasileira do Z1 tem TV digital que funciona com ou sem antena. Então pense aqui que tudo o que estamos falando pode também ser aplicado ao Xperia Z1.

Por que importa?

Ele é o smartphone mais interessante de 2014, embora estejamos apenas na segunda semana do ano. Ele importa porque muitos estavam esperando que a Sony acertasse a mão em um smartphone e porque é à prova d’água, como todos os gadgets deveriam ser. Ele também importa porque queremos uma câmera boa e não só megapixels sem sentido.

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Design

O Xperia Z1S não se parece em nada com um aparelho resistente à água. Ele é fino e aerodinâmico. Sua forma é a de um retângulo sóbrio com cantos levemente arredondados. Desligado, lembra um pouco o monolito de 2001: Uma Odisseia no Espaço. A Sony seguiu as recomendações do Google e colocou os botões de navegação na própria tela, o que é ótimo. Por outro lado, ainda há muito espaço vazio acima e abaixo da tela, o que faz com que ela pareça ter menos que 5 polegadas.

Do lado direito está o botão metálico circular de ligar/bloquear a tela, que já é padrão da linha Xperia. Abaixo dele, o botão de volume, que não é tão protuberante assim, e abaixo dele, por sua vez, está o botão da câmera, que definitivamente não é suficientemente protuberante. Eu acredito piamente que todos os smartphones deveriam ter um botão físico para câmera, mas este aqui tem um argumento a favor: touchscreens não funcionam debaixo d’água. Se você quiser aproveitar a resistência à água e tirar umas fotos na piscina ou no mar, vai precisa do botão físico.

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Na traseira há um painel preto, vítreo e liso, com a lente da câmera acoplada no canto esquerdo superior. Quando dizemos liso, queremos dizer liso de verdade. Sim, ele parece elegante, reluzente, digno de um produto de topo de linha, mas também escorrega facilmente. Se você se sentar e apoiá-lo na sua perna, basta pensar em respirar para ele cair. É a forma sobre a função. Mesmo tendo gostado da estética, nós preferiríamos alguma coisa com mais pegada. E, com apenas 8,6mm de espessura, ele é realmente fino para um eletrônico que pode ser usado debaixo d’água.

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Usando

Os problemas da Sony com smartphones sempre estiveram diretamente relacionados ao software, e, infelizmente, este é o caso aqui. A skin que a Sony colocou no Android é, de fato, muito pesada. Ela acrescenta algumas opções para customização mas, sem um caminho claro, acaba sendo um incômodo. Tudo é pouco intuitivo. No Android padrão (e na maioria das outras skins), você pode ajustar o brilho da tela num widget que fica na área de notificações. Pronto. No Xperia X1S, você tem que deixar o que está fazendo para entrar em Configurações, Tela, Brilho, finalmente ajustar e voltar para o que estava fazendo. Subjetivamente, a skin também não tem uma aparência muito boa. Ela toma o caminho dos tons de cinza escuro em vez de pretos, o que faz com que a tela pareça ter um contraste pior do que ela na verdade tem.

Se colocarmos de lado quanto tempo leva para chegar de um ponto a outro por causa da interface, o telefone é super-rápido. O processador Snapdragon 800 é um monstro e é muito difícil deixá-lo lerdo. Aplicativos abrem rapidamente, a navegação é dinâmica e a câmera também é rápida. Para a maior parte das coisas, ele estava cabeça a cabeça com o Nexus 5, o que diz muito sobre o bom desempenho. Por outro lado, o Nexus 5 era muito mais fácil e satisfatório de se usar.

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E então, tem a câmera. A Sony anunciou com pompa e circunstância sua câmera de 20,7MP com uma lente “G Lens” especialmente projetada, com abertura f/2.0, e um sensor de 1/2,3 polegadas. Nós estávamos realmente animados para testá-la — esperando que essa fosse a resposta Android ao Lumia 1020 — e ela, de fato, é boa, mas rende resultados inconsistentes. Para começar, as cores são extremamente lavadas. O laranja da flor que você vê acima não chega nem perto do quão brilhante ela é de verdade. O mesmo vale para o verde das folhas. Os brancos saem frequentemente estourados, devido à tendência da câmera à superexposição, e objetos mais claros podem sair fundidos. Nós testamos a maior parte do tempo no modo Superior Auto, que é o padrão, o mais fácil e o que provavelmente a maioria dos compradores irá usar. Assim como o Lumia 1020, o Z1S faz downsampling da imagem, ou seja, ele tira fotos de 20,7MP e você acaba com uma foto de apenas 8MP, mas com grande parte dos detalhes mantidos. A Sony diz que isso significa que você pode dar um zoom de três vezes sem qualquer perda a qualidade da imagem, mas nós achamos, usando, que isto não é 100% verdade (é bem perto disso, no entanto).

Apesar de nossas reclamações sobre cor e exposição, a câmera tem seus méritos também, especialmente no que diz respeito à nitidez. Se você é entendido em fotografia, mude para o modo Manual. Lá, você terá provavelmente mais opções do que procura, mas dá para tirar proveito do sensor de 20,7MP. Ele é melhor do que o Superior Auto, mas você provavelmente terá que ajustar a imagem sozinho e em alguns momentos as coisas dão uma fugidinha do controle. A gravação de vídeo foi muito bem sucedida. A estabilização digital de imagens deixa os vídeos mais suaves, mas também acrescenta um pouco de jelly-vision — sabe quando a imagem parece não se mover de maneira uniforme? — se você mexer a câmera rápido demais. Dá também para fazer vídeos com HDR, o que deixa coisas que estavam perdidas no escuro visíveis. No entanto, há uma perda considerável de nitidez nesse caso, então, na maioria dos casos, simplesmente não vale a pena. Em condições de pouca luminosidade, há menos problemas do que nós costumamos ver na maioria das câmeras de smartphones Android.

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O aplicativo da câmera é modular, o que quer dizer que você pode baixar vários apps de câmera e usá-los a partir do app principal (que abre quando você aperta o botão da câmera). Já há vários desses apps disponíveis na Play Store e outros devem chegar em breve. Alguns deles são bem legais. O Timeshift Burst tira 60 fotos contínuas em dois segundos, um antes (usando cache) e um depois de apertar o botão. Então, você escolhe a melhor foto e deleta o resto, tudo isso numa interface muito boa. Também há o Background Defocus, que tira duas fotos, e então permite que você regule o nível de desfoque do fundo (atrás do objeto em primeiro plano). Também dá para usar o AR Effects para colocar dinossauros (ou gnomos, ou peixes, ou fogos de artifício) nas suas fotos. É bobo, mas é divertido. Você pode ver alguns exemplos aqui.

Para a maioria das coisas do dia a dia, o smartphone é realmente muito bom. A duração da bateria é excelente, e quase sempre passava da meia noite ainda com carga. A primeira coisa que você terá que fazer, entretanto, é substituir o teclado. A correção automática do teclado da Sony continua sendo a pior que eu já usei. Dá para mudar para o teclado do Android padrão ou, melhor ainda, pelo SwiftKey. Fará uma enorme diferença. Além disso, a tela parece ser sensível demais, mas não inteiramente precisa. Frequentemente, ela rolava quando eu tentava clicar, ou aproximava quando eu tentava rolar. E, apesar de todo o áudio vir da grade na parte debaixo do aparelho, o som é muito bom, e a distorção é relativamente baixa.

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Gostamos

A tela é realmente adorável, particularmente pelo jeito que ela lida com as cores. Os pretos não são tão escuros quanto numa AMOLED, mas, caramba, como ela brilha! Ver a tela ao sol nunca foi um problema. Qualquer proteção contra água é boa, mas meia hora de proteção em até 1,3m de profundidade é matador. Você não terá dificuldade para rodar os jogos mais pesados. O aparelho é fino, muito bonito, e o som é nítido e claro. A duração da bateria é excelente.

O hardware da câmera é muito bom. A nitidez das imagens é uma das melhores que já vimos num Android, apesar de a qualidade das fotos, no geral, parecer prejudicada pelo software. A ideia de vários outros apps de câmera convivendo com o principal é ótima.

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Não gostamos

O software não apenas parece pouco desenvolvido, ele é bugado, mesmo. Em um determinado momento, a câmera parou de funcionar do nada e não voltou até eu desligar e religar o aparelho. O aplicativo da câmera, apesar de ser uma ideia muito legal, é complicado demais, e ainda precisa de muito trabalho para conseguir uma foto boa (mas tem vezes que isso acontece por mágica). O telefone é simplesmente maior do que precisava ser. Comparado ao Nexus 5 (que tem o mesmo tamanho de tela), há muito espaço perdido na frente do aparelho, o que faz com que ele pareça maior e com uma tela menor.

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A saída para fones de ouvido não precisa ser tampada para se proteger contra a água, mas as entradas de cartão SD e SIM e o slot micro USB têm pequenas portinholas plásticas para vedação. Para recarregar, isso dificulta bastante. Sair tateando no escuro, tentando colocar a ponta da unha debaixo da porta e então conseguir chegar à entrada USB não é nem um pouco divertido. De todos os smartphones do mundo, este é o que mais pede um carregamento wireless, mas não, ele não tem. Além disso, os botões da câmera e do volume são difíceis de encontrar, e, de novo, a traseira é muito lisa e escorregadia.

Por último, a experiência com o Xperia Z1S não é tão rápida, fluida ou prazerosa quanto com um Nexus 5 ou um Moto X, e isso faz toda a diferença. Tudo é um pouco frustrante, um pouco mais difícil de encontrar e lidar. Depois de um ou dois meses, essas coisinhas são suficientes para você estar amando seu smartphone ou estar querendo atirá-lo na parede.

Devo comprar?

Acho que temos que dizer “provavelmente não” para quase todo mundo. Por enquanto, ele é exclusivo da operadora T-Mobile, dos Estados Unidos, e ainda não há previsão do seu lançamento no Brasil. No mundo do Android, existem alguns aparelhos que nos parecem melhores, especialmente o Moto X, há alguns meses à venda no Brasil. Mas vamos lembrar que ele é quase idêntico ao Z1, já disponível no Brasil. Nesse caso, ao menos que você sempre derrube seu telefone na água, não há um motivo para comprá-lo.

Não dá para negar que era um aparelho com potencial, especialmente na câmera. Parece que a divisão de software de câmera não conseguiu lidar com tudo de bom que o hardware tinha a oferecer. Se você está disposto a mudar para o modo manual e fazer os ajustes, dá para fazê-la funcionar, mas, na maioria das vezes, nós só queremos tirar uma boa foto o mais rápido possível. O Xperia Z1S consegue fazer isso às vezes, mas ele parece pouco confiável. Mais uma vez, este parece ser um Android no qual a fabricante passou muito tempo fazendo coisas que os consumidores não querem ou não precisam e deixou de lado coisas importantes que precisavam ser acertadas.

Especificações técnicas

  • Sistema Operacional: Android 4.3 (Jelly Bean)
  • Processador: Snapdragon 800 quad-core 2,2GHz
  • Tela: 5 polegadas, 1920×1080, TFT-LCD Triluminos (441 PPI)
  • RAM: 2GB
  • Armazenamento: 32GB + microSD até 64GB (16GB de armazenamento interno no Z1)
  • Câmera: 20,7MP (traseira) / 2MP (frontal)
  • Bateria: 3000 mAh Li-Po
  • Dimensões: 145,7mm x 73,9mm x 8,6mm
  • Peso: 161,8g