Televisores de tela plana são excelentes. Televisores curvados são o futuro. E o mais estranho produto da Samsung na CES 2014 – uma TV Ultra HD que se dobra – é uma ponte entre esses dois mundos com uma dose de bizarrice.

As curvas

Vamos começar com os modelos menos caros. A Samsung anunciou sua série Ultra HD U9000 SeriesCurved, que estará disponível em modelos de 78 polegadas, 65 polegadas e 55 polegadas. Todos os aparelhos são super nítidos com resolução 4K, e os detalhes nas imagens são incríveis. A tela é enquadrada por uma moldura preta fina, e, de acordo com a Samsung, a curva é ideal “para assistir em distâncias normais de 3 a 4 metros”. De fato, a curva realmente cria uma espécie de efeito sutil 3D. É sutil, mas faz com que você note mais profundidade.

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A série U900 também será conectada, como era de se esperar, e conta com um processador “quad-core plus”. Isso permite dividir a tela em até quatro imagens diferentes, se você quiser, então você pode ver o jogo em uma janela, acompanhar estatísticas em duas outras, e ainda ver algo no YouTube na outra janela. As TVs também contam com um processo de upscaling em quatro passos, que fará com que as coisas do seu antigo DVD fiquem mais próximas de UltraHD – ao menos em teoria.

E caso 78 polegadas não seja grande o suficiente para você, a Samsung também tem um modelo de 105 polegadas curvado. Este último tem aspecto 21:9, o que significa que é diferente das tradicionais e assistir conteúdo HD tradicional nela renderá duas barras pretas nos cantos da tela. Ou você pode empurrar a imagem em 16:9 para um dos cantos da tela e usar o resto de espaço vazio para fazer um picture-in-picture que não prejudica a imagem principal.

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Por mais que as TVs sejam incríveis e nós certamente ficaríamos extremamente felizes em ter uma delas na nossa sala de estar, nem tudo por aqui é perfeito. Quando a imagem ficava escura, ainda dava para ver alguns pontos com muita luz residual da retroiluminação LED. Em outras palavras, os pretos que não são os pretos perfeitos vistos em TVs OLED (que não exigem iluminação adicional), e sim um cinza escuro. Para uma TV extremamente cara, é uma grande falha.

Além disso, ao mesmo tempo que as telas curvas são excelentes para se olhar de frente, devemos dizer que as alegações de melhores ângulos de visão são um pouco exageradas. Quando você chega a um dos cantos, sim, você consegue ver o outro lado da tela melhor do que em uma tela plana, mas o lado mais próximo fica com uma qualidade estranha. Além disso, você só consegue os benefícios imersivos da curvatura quando é uma TV realmente grande e/ou você está sentado bem perto dela. Mas para ter esses pequenos benefícios você acaba pagando muito mais e fica com opções limitadas, além de dificultar a decoração, já que uma tela curvada em uma parede plana é meio estranho.

As dobráveis

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Mas espere! Se você realmente tem muito dinheiro, a Samsung tem a solução ideal para você. A empresa também tem uma TV gigante e dobrável. A Samsung brinca com telas flexíveis já faz algum tempo, mas agora é a primeira vez que vemos uma delas em uma escala tão grande, e é realmente impressionante. Ela continuará plana como a sua parede, mas é só apertar um botão que ela se dobra nos cantos e ganha aquela curva adorável. Foi impressionante ver isso tudo acontecer ao vivo, ainda mais enquanto conteúdo UHD era reproduzido na tela.

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Preços não foram anunciados ainda, mas podemos dizer sem medo que serão absurdamente caros – para lembrar a situação do Brasil, a TV OLED curva da empresa saiu por assustadores R$ 45.000 no fim do ano passado, enquanto os modelos 4K LED chegavam a R$ 100.000 (na versão de 85 polegadas). Então não conte com a possibilidade de ter uma TV de 105 polegadas na sua casa sem precisar vender alguns órgãos importantes do seu corpo.

TVs curvas UHD devem ganhar força neste ano – ao menos entre os lançamentos das empresas. Já vimos uma bastante promissora vindo da LG (e ela também é OLED!). Enquanto OLED e 4K já são comprovadamente vantajosos, a curvatura dos aparelhos ainda precisa ser avaliada pelo público. Os benefícios são menos quantificáveis, e bem menos óbvios. Pode ser apenas uma tendência passageira, sem cair no gosto do povo, ou não, pode ser algo que veio para ficar – só saberemos a resposta final dentro de algum tempo.