Pode parecer difícil de acreditar, mas médicos dos EUA dizem que, pela primeira vez, um bebê foi curado de uma infecção por HIV. Eles dizem ao New York Times que, em cinco ocasiões diferentes, testes mostravam que o bebê era HIV-positivo. Agora, longe de remédios há um ano, ele não mostra sinais do vírus em seu corpo.

A mãe é HIV-positiva e, apenas 30 horas após o parto, o bebê foi tratado com medicamentos antirretrovirais – uma prática incomum. Acredita-se que este tratamento agressivo contribuiu em grande parte para a aniquilação aparente do vírus, incapacitando-o antes que ele pudesse afetar o sistema imunológico.

De acordo com o New York Times:

Se estudos posteriores mostrarem que isso funciona em outros bebês, é quase certo que isto mudará a forma como os recém-nascidos de mães infectadas serão tratados em todo o mundo. A ONU estima que 330.000 bebês foram infectados em 2011, o ano mais recente para o qual há dados, e que mais de 3 milhões de crianças no mundo vivem com HIV.

Se o relato for confirmado, a criança nascida no Mississipi seria apenas o segundo caso bem-documentado de uma cura no mundo, dando impulso a pesquisas destinadas à cura, algo que há alguns anos acreditava-se ser praticamente impossível.

O primeiro caso de cura do HIV ocorreu há alguns anos: Timothy Ray Brown, então com 42 anos, recebeu células-tronco com uma mutação genética extremamente rara, que as tornam quase invulneráveis ao HIV. O tratamento o curou do HIV, mas era agressivo: inicialmente, envolveu uma quimioterapia que destruiu quase todas as células do seu sistema imunológico.

Também há limitações no novo caso envolvendo o bebê, é claro. Especialistas externos ainda não puderam verificar completamente as afirmações dos médicos. E mesmo que a criança não teste positivo para HIV, é preciso ter uma confirmação firme de que ela já foi HIV-positiva.

Mas a Dra. Deborah Persaud, professora associada no Centro Infantil de Johns Hopkins e principal autora do relatório sobre o bebê – junto a outros cientistas externos – dizem ter certeza de que a criança estava de fato infectada. “É uma prova do princípio que podemos curar a infecção pelo HIV se pudermos replicar este caso”, disse Persaud ao anunciar a descoberta.

Já se planeja realizar mais estudos para ver se o tratamento da mesma forma agressiva pode funcionar em outras crianças soropositivas. Se esta cura puder ser amplamente verificada, compreendida e replicada, ele se destaca como um grande avanço na luta contra o HIV e AIDS em crianças – e nas pessoas em geral. Por enquanto, é um exemplo de uma só criança sendo funcionalmente curada, e não “a cura” em si – mas é um passo na direção certa. [New York Times]

Imagem por PhotoStock10/Shutterstock