As crianças estão ganhando mais calorias e isso tem tudo a ver com o modelo de alimentação que estão acostumados. Um estudo publicado na revista JAMA, avaliou jovens quase 34 mil jovens de 2 a 19 anos, entre os anos de 1999 e 2018, e mostrou que a proporção estimada da ingestão de alimentos ultraprocessados ​​aumentou nos Estados Unidos e compreendeu a maior parte da ingestão total de energia.

Os números da pesquisa mostram que 67% da ingestão de alimentos feita pelos jovens nesse período são provenientes de alimentos ultraprocessados como pizza, hambúrgueres, comida congelada entre outros. 

Para que os resultados da equipe de Friedman School of Nutrition Science & Policy da Tufts University fossem possíveis, as crianças e adolescentes mais velhos relataram diariamente os alimentos que ingeriram, enquanto os mais novos eram acompanhados pelos pais.

Na análise dos nutrientes, os pesquisadores descobriram que à medida que o consumo de alimentos pouco ou nada processados diminuía de 28,8% para 23,5%, a taxa de consumo de alimentos processados aumentou em 6%. 

Em contrapartida, houve queda no consumo das calorias adquiridas pelo consumo de bebidas como refrigerantes e sucos, que contêm grandes quantidades de açúcares. O relatório apontou que a diminuição no período da pesquisa foi de 51%.

Além das análises matemáticas, os pesquisadores contaram com o Sistema de classificação de alimentos NOVA, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo para quantificar as calorias totais consumidas. 

Fang Fang Zhang, epidemiologista nutricional da Escola Friedman e autor sênior do estudo, disse ao SciTechDaily que alguns pães integrais e laticínios são ultraprocessados ​​e mesmo assim são mais saudáveis ​​do que outros alimentos, que contém molhos, açúcares e sal. 

Para Zhang, é preciso considerar que o ultraprocessamento de alguns alimentos pode estar associado a riscos de saúde, independentemente do perfil nutricional pobre dos alimentos ultraprocessados ​​em geral.

A má alimentação e a diminuição de atividades físicas fazem com que crianças e adolescentes obesos apresentem diversos problemas de saúde como doenças respiratórias, hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes etc. Esses impactos podem ser diminuídos com ações do dia-a-dia. 

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O Brasil já reconheceu esse risco e por esse motivo, o Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional de prevenção à obesidade infantil.

De acordo com a pasta, o país tem 6,4 milhões de crianças e adolescentes com sobrepeso e 3,1 milhões são considerados obesos. Paralelo a isso, o Rio de Janeiro coloca em votação na Câmara dos Vereadores um projeto que pretende tirar alimentos ultraprocessados da merenda escolar. 

[SciTechDaily]