Neste ano, o Brasil deu um importante passo ao realizar o leilão de frequências para a implantação da rede 5G. Após anos de atrasos, a nova tecnologia móvel chegará ao país com a promessa de oferecer benefícios para consumidores e, principalmente, para empresas.

São esperados avanços em diversas áreas, como transporte, segurança, comércio, saúde e entretenimento, impulsionando a criação de novos produtos e serviços.

Porém, como toda novidade, ela também vem acompanhada de uma série de dúvidas. Aqui, estão as respostas para os principais questionamentos.

1. Precisa de um novo celular para usar o 5G?

Sim. A rede 5G utiliza um novo padrão de conectividade –usando radiofrequências milimétricas– o que vai exigir novos modens e antenas. Dessa forma, os atuais aparelhos 4G não serão compatíveis com a rede 5G.

Porém, por mais que a promessa seja que o 5G estará disponível nas 27 capitais brasileiras até julho do ano que vem, isso não significa que a nova rede estará disponível em todos os bairros de uma cidade nesse primeiro momento.

Ou seja, o usuário não precisa correr para adquirir um novo aparelho. Além disso, existem poucos smartphones compatíveis com o 5G disponíveis no varejo brasileiro, e a maioria deles tem preços proibitivos para a maioria dos usuários.

2. O 5G vai acabar com o 4G?

Não. Para que a rede 4G seja desligada seria necessário que todos os brasileiros passassem a utilizar apenas o 5G, algo que não deve ocorrer antes de 2029.

Vale ressaltar que o Brasil ainda conta com localidades que nem mesmo tem o 4G instalado. Tanto é que um dos compromissos assumidos pelas operadoras durante o leilão do 5G está o de levar a rede de 4ª geração para áreas ainda desconectadas.

Por outro lado, com a chegada do 5G, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já estuda a possibilidade de desligar em algum momento no futuro as redes 2G e 3G, permitindo que as operadoras de telefonia reduzam custos e otimizem os espectros para expandir as redes 4G e 5G.

Porém, antes que isso aconteça, todas as operadoras precisam migrar o serviço de chamadas telefônicas para tecnologia VoLTE, ancorada no 4G. O mesmo vale para o mercado de maquininhas de cartão (M2M), passando das antigas redes para o padrão NB-IoT, um procedimento que ainda pode demorar alguns anos.

3. O que vai mudar nas chamadas de vídeo e nos games?

O 5G não será apenas rápido, mas também terá uma latência menor –de 1 a 2 milissegundos. Isso significa que a rede não apenas comportará videochamadas em tempo real e com imagens em altíssima resolução, mas também impulsionará os primeiros passos do metaverso.

A baixa latência também beneficiará os fãs de games online. Dependendo do jogo, alguns milissegundos de tempo de resposta podem ser decisivos para ganhar ou perder uma partida. Por isso, para esse público, a nova rede será bem-vinda.

4. O 5G vai ser mais caro que 3G e 4G?

Não. Assim como acontece no 4G, o usuário não vai ter que pagar para usar a rede 5G. Caso ele esteja em uma área coberta – e com um smartphone compatível – ele poderá acessar automaticamente a rede de nova geração sem qualquer cobrança de taxas.

Contudo, como o 5G será uma rede mais rápida do que o 4G, é esperado que os usuários consumam mais dados com a nova rede, o que vai exigir a contratação de pacotes de dados maiores.

A promessa é que um filme que demoraria 10 minutos para ser baixado no 4G poderá ser baixado em apenas 30 segundos no 5G. Com isso, um usuário descuidado poderá acabar consumindo um pacote de dados de vários gigabytes em poucos minutos.

5. O 5G vai substituir a internet fixa?

Não. A expectativa é que a nova rede móvel seja uma tecnologia complementar à banda larga fixa.

Na verdade, como as operadoras terão o compromisso de instalar mais backhauls para conectar as antenas 5G, é esperado que a malha de fibra óptica no país seja consideravelmente ampliada, popularizando ainda mais a banda larga e também a ultra banda larga.

É esperado ainda que as operadoras passem a ofertar a banda larga fixa sem fio por meio de uma conexão 5G – tecnologia esta chamada de FWA. Isso permitiria oferecer internet fixa para determinados locais sem a cobertura da fibra.