É bem provável que seu principal interesse no que diz respeito à internet móvel seja o 4G, que está para chegar no Brasil. No entanto, vários institutos de pesquisa estão pensando bem mais longe: os trabalhos para criar o 5G já começaram.

A Comissão Europeia anunciou esta semana um investimento de 50 milhões de euros em projetos para acelerar o desenvolvimento do novo padrão tecnológico, como METIS5GNOWiJOINTROPICMobile Cloud NetworkingCOMBOMOTO e (ufa!) PHYLAWS. Sim, são muitos, e a Comissão diz que esses são só alguns deles.

Dando uma olhada em cada um deles, dá para ver que os projetos estão ainda nos primeiros passos. Não se fala quase em números obtidos em testes, mas sim em ideias do que a próxima geração de conexão deve ter. O foco não parece estar na velocidade, e sim em diminuir os gastos de energia e melhorar a capacidade e a cobertura da internet móvel.

O METIS, que tem como horizonte o ano de 2020, coloca em seus objetivos tópicos como custo, energia, mobilidade e disponibilidade, mas não menciona velocidade ou taxa de transferência. Na justificativa do projeto, a tônica é a mesma:

Sistemais de comunicação móvel e sem fio, a partir de 2020, terão que responder ao aumento do volume de tráfego, aumentando a capacidade e melhorando a eficiência em energia, custo e utilização do espectro.

O iJoin vai num caminho parecido: três de seus quatro indicadores de performance falam em aumentar a eficiência de energia por bit, reduzir custos e aumentar a eficiência de utilização. A taxa de transferência só aparece com uma ressalva: não aumentar o uso de recursos espectrais.

A preocupação com o uso do espectro eletromagnético não é nova. Em uma entrevista de 2011, o CTO da Ericsson, Hakan Eriksson, dizia não via “uma tecnologia 5G no futuro por já termos atingido o ‘limite de canais’ que podem ser usados” — felizmente, pesquisadores toparam o desafio de contornar este problema.

Os projetos contemplados pela Comissão Europeia não são os únicos no mundo. A Universidade de Surrey, no Reino Unido, já recebeu 35,6 milhões de libras — sendo 24 milhões de empresas parceiras, como Huawei, Samsung e Telefonica, e 11,6 milhões do governo — para montar um “centro de inovação em 5G”.

No Japão, a NTT DoCoMo, principal empresa de telefonia móvel por lá, já conseguiu atingir a velocidade de 10Gbps numa conexão sem fio, com ajuda do Instituto Tecnológico de Tóquio. O teste não é diretamente relacionado ao desenvolvimento do 5G, mas dá a esperança de maiores velocidades no futuro.

Pode parecer cedo, mas não é: todos os padrões anteriores começaram a ser pensados cerca de dez anos antes de seu lançamento comercial. A visão estratégica do 4G, por exemplo, foi pensada pela União Internacional de Telecomunicações em 2002. É melhor começar a pensar no 5G o quanto antes. [Comissão Europeia via The Next Web, Engadget 1, 2, Wikipédia]

Imagem: SoulCurry/Shuttershock