A indústria da tecnologia está alimentando um baita hype em relação ao 5G. No papel, as possibilidades são muitas: conexão à internet gigabit sem latência, possibilidade de ter tudo quanto é dispositivo conectado e, na manufatura, uma série de oportunidades de análise de dados de produção em tempo real — para ficar só em algumas aplicações.

A boa notícia é que parte disso já está se tornando realidade. Nos Estados Unidos, duas grandes operadoras, AT&T e Verizon, já estão fazendo uma série de testes e devem começar suas operações comerciais do 5G agora em 2019. De negativo, está o fato que ainda as demonstrações, pelo menos durante o Snapdragon Summit — evento anual da Qualcomm, a companhia norte-americana desenvolvedora de chips, realizado em Maui (Havaí) — foram um pouco limitadas.

• Finalmente conseguiram construir antenas 5G que cabem em um smartphone
• 5G se aproxima do Brasil com planos da Anatel de leiloar frequências em 2019

Durante a ocasião, foram exibidas algumas demonstrações de possibilidades do 5G, com aplicações interessantes, porém muito controladas.

Quantos Gbps?

Uma das mais impressionantes era de um smartphone conceito da Samsung com o chip Snapdragon 855 — que deve equipar toda a linha de smartphones topo de linha de 2019. Ele estava fazendo o streaming de um vídeo em 4K e transmitindo para uma TV gigante. Até aí, ok, né? Mas a gente não pôde operar o telefone ou mesmo ver as velocidades que estava atingindo durante o processo. O aparelho era manuseado apenas por um funcionário da empresa sul-coreana. Só conseguimos ver que, quando um aparelho está conectado a uma rede 5G, ele mostra “5G UWB” (Ultrawide Band) na tela.

Em um estande da Motorola, foi possível ver um Moto Z3 equipado com um Moto Snap 5G, que é basicamente um modem com um monte de antenas compatíveis com a nova tecnologia. Após algumas tentativas, pude fazer alguns vídeos mostrando uma aplicação que baixa arquivos super rápidos. Um arquivo de fotos de 250 MB levou 4 segundos para ser baixado. Um jogo multiplayer de 1 GB o download levou 16 segundos. Um filme de 2 GB levou ao todo 36 segundos. É interessante, mas não foi possível executar testes independentes, sem contar que a rede 5G local apresentou instabilidade — teve um momento em que ela simplesmente parou de funcionar.

Ao The Verge, a Ericsson, que montou a rede das operadoras norte-americanas no evento da Qualcomm, disse que eles usaram apenas 100 MHz de espectro, quando o ideal para o 5G seja entre 400 e 800 MHz. As empresas envolvidas, também em conversa com o site norte-americano, disseram que a ideia principal era mostrar aplicações do 5G, e não necessariamente velocidade.

Resumindo: as demonstrações controladas davam alguma ideia de aplicações para o 5G, mas não mostravam a velocidade real.

De qualquer jeito, o cenário de 5G está começando a se tornar realidade e, creio, estamos próximos de ver exemplos reais de velocidade. Em um vídeo, a Verizon mostrou alguns testes feitos nos EUA em que antenas 5G foram colocadas próximas às de 4G. De modo geral, a velocidade variou entre 700 Mbps a 1 Gbps.

“5G vai ser parte básica de infraestrutura, como eletricidade. No momento, estamos criando uma fundação da tecnologia para smartphones, mas que depois vai ser aplicada em carros e todos os outros eletrônicos”, disse o brasileiro Christiano Amon, presidente da Qualcomm, durante apresentação do evento.

Que nossa vida foi transformada com a presença dos dispositivos sempre conectados, ninguém tem dúvida. Mas, de fato, falta ainda vermos na prática como o 5G vai ser.

*O jornalista viajou para Maui (Havaí) a convite da Qualcomm