Bom, o Chrome, assim como o Gizmodo Brasil, faz dez anos de idade. E, nesse tempo, o navegador do Google conquistou muita coisa. Apesar de entrar tarde no mercado de navegadores, com uma fatia de mercado de apenas 1%, hoje ele já é o navegador mais usado no mundo, com cerca de 60% de participação no mercado. Decidimos então resgatar como é que o Chrome se tornou tão dominante, destacando seis pontos específicos em que o navegador alterou a forma como navegamos.

1. O Omnibox

Crianças, vocês não vão acreditar nisso, mas houve uma época em que os navegadores tinham um campo para colocar o endereço e um outro para busca! Dá para acreditar nisso? Que animais imundos nós éramos naquela época! Enfim, quando o Chrome foi lançado em 2008, ele tentou enfatizar bastante uma “interface de usuário limpa, simples e eficiente“, e uma das maneiras encontradas para isso foi combinar a caixa da URL com a de busca em uma só. De repente, os usuários passaram a poder digitar um endereço web ou termos de busca soltos no mesmo lugar. Isso economizou muitos cliques logo de início, e o processo só melhorou com a chegada do recurso de autocompletar. Chegou hoje ao ponto de até responder a perguntas e resolver contas de matemática antes mesmo de você apertar Enter.

“O Omnibox lida com mais do que apenas URLs”, disse o Google em seu anúncio em história em quadrinhos. “Ele também oferece sugestões para pesquisas, páginas principais que você visitou antes, páginas que você não visitou, mas que são populares e muito mais… Você terá uma pesquisa de texto completa sobre seu histórico. Se você encontrou um bom site para câmeras digitais ontem, não precisa marcar esse site como favorito. Basta digitar ‘câmera digital’ e voltar rapidamente a ela.” Dez anos depois, é incrível o quanto ainda confio nesses recursos. Vale a pena apontar que todas essas informações voltavam para o Google por padrão, mas você podia optar por usar outros mecanismos de pesquisa (Yahoo, Ask etc) se quisesse.

2. Modo anônimo

O Google não inventou o conceito de navegação privada (ou ainda mais privada). O Safari, da Apple, na verdade, tinha uma Navegação Privada muito antes do Chrome, mas isso serve para mostrar o que um bom nome consegue fazer. O Modo Anônimo se tornou uma referência em sua função — e dá para entender por que algumas pessoas ainda se referem a ele como “Modo Pornô“. No entanto, ele pode ser usado para muito mais coisas, incluindo checar sites e perfis sob a perspectiva de um terceiro anônimo ou contornar paywalls de sites de notícias.

3. Velocidade

Talvez você se esqueça que a maior atração inicial do Chrome não era apenas que ele era rápido. Ele era incrivelmente rápido. Graças a uma codificação muito inteligente, o Google alegava que o mecanismo V8 JavaScript do Chrome conseguia processar JavaScript dez vezes mais rápido que o Safari ou o Firefox e por volta de 56 vezes mais rápido que o Internet Explorer 7, da Microsoft (o navegador dominante da época). Esse tipo de velocidade abriu o caminho para melhores aplicativos dentro do navegador, como e-mail, calendário e planilhas.

4. Cada aba tem seu próprio processo

Essa é uma daquelas situações com lado bom e lado ruim. O Chrome tomou a decisão revolucionária de fazer cada aba aberta ser seu próprio processo separado. Isso significava que, se um site tinha um código pesado, apenas uma aba parava de funcionar, deixando suas outras 19 abas abertas em paz, funcionando normalmente. Isso resultou em muito menos resets do navegador inteiro. E, contanto que seu computador tivesse RAM suficiente, então cada aba estava muito menos inclinada a travar do que em outros navegadores da época. O outro lado da moeda é que o Chrome acaba consumindo bastante da memória do seu computador, especialmente se você costumar ter várias abas abertas ao mesmo tempo, como eu. Dando crédito ao Google, eles fizeram muito nos últimos anos para minimizar o tamanho do impacto de abas em segundo plano no seu sistema e no consumo da bateria, mas eles ainda têm um caminho a percorrer nesse sentido. Outros navegadores, como o Opera, agora também seguem essa de abordagem de cada aba é um processo separado, mas a maioria é baseada na arquitetura de código aberto do projeto Chromium.

5. Tornando a internet menos irritante

É fácil começar a resmungar sobre o quanto a internet é uma droga hoje em dia, mas a verdade é que ela era ainda pior antes. Lembra dos anúncios de vídeo automáticos que disparavam alguma estupidez no seu ouvido por 30 segundos antes que você ao menos tivesse a chance de descobrir de que aba o som estava saindo? O Chrome facilitou que você silenciasse esses vídeos de forma padrão, em todo um domínio. E aquelas anúncios em pop-up? Ou talvez aqueles botões falsos de play que te levavam para um site esquisito? O Google deu aos sites 30 dias para cumprir uma série de padrões, e, se eles não o fizessem, o Chrome automaticamente começaria a bloquear os anúncios irregulares. É assim que uma empresa com participação de mercado de 60% consegue usar sua influência para forçar as pessoas a mudarem seus hábitos maléficos.

6. O primeiro navegador a se tornar um sistema operacional

Esse pequeno navegador se tornou a base para todo um sistema operacional. Firefox, Internet Explorer, Safari, Opera… Nenhum deles pode dizer o mesmo. E não é um sistema operacional insignificante, não. O Chorme OS roda nos Chromebooks, que correspondem a aproximadamente 60% de todos os dispositivos móveis sendo entregues a escolas primárias e secundárias nos Estados Unidos (até o último trimestre de 2017). Isso representará a primeira experiência com computação para muitas dessas crianças em um período tão formador de suas vidas. Se isso vai compensar para o Google, só o tempo dirá.

Imagem do topo: AP