Embora um bom thriller “precise” assustar você pelo menos algumas vezes, os que realmente marcam são aqueles que conseguem criar uma atmosfera estressante para você viver enquanto observa o desenrolar da história. Esse estresse (estranhamente agradável) pode ser difícil de descrever e um pouco complicado de detectar. Mas, quando você o encontra, é inconfundível.

Ainda que esse tipo de “estresse bom” seja um tanto perturbador, ele ajuda a intensificar a capacidade que filmes de terror têm de tocar suas emoções. Em pequenas doses, um bom estresse cinematográfico pode ser exatamente o que você precisa perder o sono. Aqui está uma lista de recursos para explorar (se e) quando você quiser.

A Cela (2000) – Globoplay

A Cela, do diretor Tarsem Singh, traz a jornada de uma assistente social que entra na mente de um assassino enlouquecido. As habilidades de Catherine Deane (Jennifer Lopez) se tornam um recurso inestimável quando ela se vê envolvida na investigação de Carl Rudolph Stargher (Vincent D’Onofrio), um assassino em série.

A severa frieza do mundo “real” de A Cela contrasta com o calor sufocante e a escuridão  que define o mundo dos sonhos dentro da mente de Stargher. É lá que Deane se encontra enquanto procura a localização da futura vítima do assassino. Cada um dos conjuntos da figurinista Eiko Ishioka apresentados ao longo do filme cria como um “foco de gravidade” nas cenas: se torna difícil desviar o olhar enquanto A Cela alterna entre diferentes visões de beleza absoluta e macabra.

Além do Arco-Íris Negro (2010)

Muito antes de o mistério no centro de Além do Arco-Íris Negro ser revelado, o filme convida a desvendar os significados por trás de suas imagens impressionantes e sua trilha sonora esparsa e assustadora.

O filme de 2010 do diretor Panos Cosmatos conta a história de Barry Nyle (Michael Rogers), um líder de pesquisa em uma organização que estuda metafísica, que passa seus dias trabalhando em uma instalação onde uma jovem vidente chamada Elena (Eva Allan) está detida. O uso poderoso de cores e imagens perturbadoras de Além do Arco-Íris Negro para estabelecer um tom doentio e distorcido, que molda sua história, evoca 2001, de Stanley Kubrick. É o único da lista que não está disponível em serviços de streaming.

O Homem Duplicado (2013) – Amazon Prime Video

Denis Villeneuve cria uma trama intrincada e cativante em O Homem Duplicado, seu thriller psicológico de 2013 sobre um professor universitário aparentemente comum que, um dia, descobre que pode ser um gêmeo. Mais do que isso, um clone inexplicavelmente perfeito.. Depois de encontrar um ator que se parece muito com ele, Adam Bell (Jake Gyllenhaal) começa a aprender mais sobre quem é o outro homem, Anthony Claire (também Gyllenhaal).

Embora nem Adam e nem Anthony se lembrem de ter quaisquer irmãos (ou de ter passado por experimentos genéticos secretos), eles também não podem negar que estão unidos entre si.

Boa Noite, Mamãe (2014) – Apple TV

Boa Noite, Mamãe, de Veronika Franz e Severin Fiala, transforma a paisagem pitoresca da Alemanha com uma história morbidamente estilosa sobre irmãos jovens que suspeitam que sua mãe possa ter sido substituída por um monstro. Depois que uma mulher desconhecida (Susanne Wuest) volta para casa após o nascimento de seus filhos gêmeos Elias (Elias Schwarz) e Lukas (Lukas Schwarz), ela sente uma mudança marcante em sua aparência e comportamento.

Na Companhia do Medo (2003) – Amazon Prime Video

Na Companhia do Medo, de Mathieu Kassovitz é apenas uma história de fantasmas se você quiser assim. Mas funciona perfeitamente bem como um thriller sobre uma psiquiatra que, após ser acusada de assassinato, acaba internada na mesma instituição em que trabalhou. A Dra. Miranda Gray (Halle Berry) coloca toda a fé do mundo na ciência e em sua própria experiência médica. Mas nada sobre seu aparente surto psicótico faz muito sentido, embora as pessoas mais próximas a ela quase imediatamente acreditem que ela possa realmente ser uma assassina.

Céu Vermelho-Sangue (2021) – Netflix

Céu Vermelho-Sangue, de Peter Thorwarth segue a dupla mãe/filho Nadja (Peri Baumeister) e Elias (Carl Anton Koch) em uma viagem de avião da Alemanha a Nova York. Por causa da condição médica especial relacionada ao sangue de Nadja, ela e Elias investem tempo e planejamento consideráveis em sua viagem — uma vez que eles são impedidos de entrar em contato com a luz do sol. Tudo parece estar indo de acordo com o planejado no início do filme..

Tudo muda quando o voo da família é interrompido por um grupo de sequestradores racistas, liderados por um americano chamado Berg (Dominic Purcell). Nadja percebe que a única maneira de salvar seu filho (e a si mesma) é revelar o segredo que ela tem trabalhado tanto para esconder não apenas de seu filho, mas do resto do mundo.

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Parasita (2019) – Now, Apple TV

Parasita, de Bong Joon-ho, entra no campo do horror mais próximo do fim, conforme as vidas de duas famílias sul-coreanas se cruzam em uma elegante bagunça que mistura decepção e aspirações de mobilidade social. Para explicar como Parasita deixa de ser um drama tenso sobre uma família caindo nas graças de outra para se tornar um thriller psicológico com elementos de terror, seria necessário entrar nas reviravoltas que começam a se desenrolar no fim da trama.

Mas é especificamente por causa da capacidade impressionante do Parasita de variar perfeitamente entre os gêneros cinematográficos que a virada para o quase sobrenatural faz sentido – e aterrissa como um lembrete muito proposital de que qualquer história pode assustar você nas mãos dos criadores certos.