O 99, aplicativo brasileiro de táxi e corridas pagas, acaba de receber um aporte financeiro de US$ 100 milhões da japonesa SoftBank. O valor, somado aos outros US$ 100 milhões investidos recentemente pela chinesa Didi Chuxing, representa um número histórico para o empreendedorismo nacional: nunca uma startup brasileira recebeu tanto dinheiro em uma só rodada de investimentos.

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O SoftBank é uma gigante de internet e telecomunicações no Japão e, com o investimento, torna-se acionista minoritária da 99. Segundo o jornal Estado de S. Paulo, a transação foi concluída quando Peter Fernandez, presidente executivo da 99, viajou a Tóquio na semana passada. Agora, resta a aprovação de órgãos reguladores, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Assim como o SoftBank, a Didi Chuxing, que fez seu investimento em parceria com o fundo de investimentos Riverwood, também se torna acionista minoritária do aplicativo.

Dona da operadora japonesa SoftBank, da norte-americana Sprint e da britânica ARM, responsável pela arquitetura dos processadores usados na maioria dos smartphones e tablets no planeta, a SoftBank é uma das maiores empresas de telecomunicação do mundo, e a transação com a 99 é mais um passo em sua expansão pesada em diferentes mercados – a compra da ARM, por exemplo, custou aos japoneses US$ 31 bilhões, em um dos maiores negócios já feitos no setor de tecnologia.

Enquanto isso, a 99 (antes 99Taxis) também recebeu um aporte financeiro da chinesa Didi, empresa que comprou o Uber no país asiático depois de uma intensa disputa de preços. Desde agosto, a Didi controla a marca, as operações e os dados do Uber na China. O investimento deve tornar a concorrência mais agressiva entre os serviços.

O 99 começou a funcionar no Brasil em 2012, exclusivamente com táxis, mas hoje tem mais de 200 mil motoristas e 14 milhões de usuários. Junto com o Cabify, é um dos grandes concorrentes do Uber no País.

O aporte financeiro da chinesa Didi em janeiro já representava uma concorrência mais agressiva entre os serviços no Brasil, e a chegada do SoftBank, levando o valor arrecadado a US$ 200 milhões, potencializa isso. Tudo isso em meio a um ano em que, globalmente, a marca Uber tem sofrido diversos baques.

[Estadão]

Imagem do topo: AP