por Bruno Izidro

No primeiro dia de trabalho de Thiago Klafke, o único pensamento que tinha era de que sua vida profissional começava naquele momento. Ele já estava na área de jogos há 10 anos, sendo os três últimos profissionalmente, mas era só ali que tudo teria realmente início. “O sentimento foi de que tudo que eu tinha feito na minha vida foi para me levar para aquele lugar”, disse Thiago em entrevista ao Gizmodo Brasil. E que lugar! Recebido por uma imensa estátua de Orc, o brasileiro começava a trabalhar na Blizzard.



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Thiago não só agora estava em uma das maiores empresas de games do mundo, como também havia se mudado para os Estados Unidos no processo. Uma grande mudança, por isso o deslumbre inicial era óbvio. Com o tempo, porém, o brasileiro deixou de lado o pensamento de emprego dos sonhos e passou a encarar o trabalho de outra forma. “Eu não sinto que eu estou realizando um sonho por estar lá com eles. Sinto que estou fazendo um trabalho legal com meus brothers”, declarou.

Thiago-Flafke

O brasileiro trabalha há cinco anos como artista de ambientes e nesse tempo esteve envolvido nas produções de Starcraft II: Legacy of the Void, Heroes of the Storm e Overwatch. Inclusive, o futuro jogo de tiro é o game que ele teve mais orgulho de ter feito até hoje. “Meu objetivo sempre foi trabalhar em um shooter”.

Foi com esse pensamento que Thiago iniciou nessa vida de criar jogos, lá em 2001, quando começou a criar mods e mapas pra Counter-Strike, então o FPS sensação da época. Ele começou a entrar mais e mais de cabeça na grande comunidade de mods que havia do jogo e foi onde começou a pegar as manhas de como se cria um game.

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Essa experiência levou Thiago a conseguir o primeiro emprego na área de forma profissional, em 2008, e foi nada mais nada menos no estúdio que a Ubisoft montou em São Paulo. Na época, isso foi um grande acontecimento para o cenário local, e Thiago fala que isso também se refletiu para quem trabalhava por lá. “A gente tinha uma missão de mostrar que brasileiro também é capaz de criar jogos de qualidade”, revela.

Como artista 3D, ele e a equipe do estúdio brasileiro desenvolveram os jogos Imagine: Detective, para Nintendo DS, e Michael Jackson: The Experience, para DS e PSP.

Apesar de estar trabalhando para uma empresa do porte da Ubisoft, Thiago ainda não fazia os shooters triple A que tanto sonhava e, com o fechamento do estúdio, em 2010, ele voltou a criar mapas e cenários para jogos de tiro, dessa vez usando a engine Unreal.

Porém, ele sabia que nunca conseguiria trabalhar num jogo do porte de um Counter-Strike ou Call of Duty preso aqui no Brasil, principalmente naquela época. Então, ele enviou o seu portfólio para várias empresas de fora, tanto dos EUA quanto Europa. A única que deu retorno foi a Blizzard. “Um dia eu cheguei e tinha um email da Blizzard falando que tinham visto meu trabalho, que tinham gostado e perguntaram se não queria fazer um teste. Nisso as coisas foram acontecendo”, falou Thiago.

Daqui a poucos dias, com o lançamento de Overwatch, Thiago vai finalmente realizar o objetivo de ver um jogo de tiro em que ele ajudou a criar sendo lançado. Ele não poderia estar mais animado, não só porque realizou um sonho antigo, mas por saber que o trabalho que ele e todo o time da Blizzard fizeram com Overwatch é de qualidade. Não foi à toa que o beta aberto do jogo teve mais de 9 milhões de jogadores, o que faz rapidamente de Overwatch um dos jogos mais aguardados e mais um possível sucesso da Blizzard.

Overwatch

“A direção de arte [de Overwatch] é minha preferida, eu não escolheria nem um outro jogo no mundo [para trabalhar]”, fala o brasileiro, que trabalhou no time de arquitetura dos mapas do jogo, construindo os ambientes, terrenos e prédios que os jogadores passarão durante as partidas.

Todos nós poderemos experimentar o trabalho do brasileiro quando Overwatch for lançado em 24 de maio, para PS4, Xbox One e PC.