Apesar da madeira quente e os detalhes em vermelho, a Smitten Ice Cream, rede de sorveterias nos EUA, lembra bastante uma loja de um cientista maluco. Há um tanque industrial de nitrogênio líquido recebendo quem chega à nova loja em Oakland, nos EUA. E também há nuvens ondulantes de nitrogênio quando as máquinas de aço inoxidável de sorvete despejam as bolas personalizadas dos pedidos.

A loja está prevista para ser aberta na semana que vem, mas o Gizmodo já visitou e viu de perto como funcionam essas máquinas responsáveis por sorvetes deliciosos.



Tenho que dizer que estava um pouco cética quando ouvi falar pela primeira vez sobre a característica da Smitten, que parecia mais uma forma de se diferenciar de outras sorveterias locais. Já havia experimentado sorvete de nitrogênio líquido antes, e o resultado final não era muito diferente do encontrado naqueles potes vendidos em supermercados. É divertido, mas não vale o preço e toda a devoção. Mas quando experimentei o da Smitten em San Francisco, mudei de ideia.

Na teoria, o nitrogênio líquido é capaz de fazer o melhor sorvete do mundo porque suas temperaturas extremamente baixas previnem a formação de grandes cristais de gelo – daí vem o resultado mais cremoso. Na prática, no entanto, superresfriar seu sorvete faz com que ele grude na tigela de aço frio, criando as protuberâncias que encontrei ao mexer a minha mão. É aí que a Brrr faz seu trabalho.

O nascimento da Brrr

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Fisher brincando com a Brrr. Cortesia da Smitten Ice Cream

A fundadora da Smitten, Robyn Sue Fisher, passou dois anos trancada em um laboratório em um porão ao lado de um engenheiro aposentado para criar a Brrr, a máquina de sorvete patenteada da loja. A ideia revolucionária por trás do sorvete da Smitten não é o nitrogênio líquido, e sim a máquina que o agita. “Meu primeiro filho foi a Brrr”, brinca Fisher.

Inicialmente, eles tentaram modificar máquinas existentes, mas nenhuma criava um produto formidável. Então eles jogaram tudo fora e começaram a fazer uma nova do zero. Fisher lembra que olhava para aviões e limpa-neves como inspiração – máquinas criadas para impedir a formação de gelo. Um dos seus protótipos inciais era “literalmente um limpa-neve que passeou pela neve”. Por fim, eles se estabeleceram em dois agitadores helicoidais com a forma muito parecida com fitas de DNA.

Com o design definido, criar um lote de máquinas artesanais personalizadas não era algo fácil. “Você pode basicamente comprar um carro com o custo da máquina”, diz Fisher. Para manter a máquina rodando com suavidade, ela também conta com uma equipe de sete engenheiros para casos de emergência.

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Foto por Alex Loscher

Com duas novas lojas a caminho, a Smitten também prepara a Brrr 2.0, que é mais do que a soma de suas partes mecânicas. Ela sabe agitar todos os sabores de acordo com as suas pequenas diferenças – sorvete de chocolate, por exemplo, precisa ser um pouco mais viscoso do que o de morango.

Fisher não tem planos para expandir a Smitten para fora dos EUA no momento, então só visitando uma das lojas por lá você consegue ver tudo isso em ação. Mas, para ser sincera, ver a máquina criar o sorvete na sua frente é metade da diversão. E isso você consegue ver no vídeo abaixo:

Foto de topo por Toni Bird Photography