Verde talvez seja a cor que represente o Reino Plantae, mas isso pode ser diferente. Inclusive, é preciso apenas um pequeno químico para tornar a clorofila — o pigmento de absorção da luz que deixas as plantas verdes — azul, vermelha, laranja ou de qualquer outro tom abaixo do sol.

Conforme publicado pelo Journal of Physical Chemistry B, cientistas recentemente descobriram como hackear a clorofila para que ela absorva qualquer cor do espectro da luz do Sol que quisermos. Armados com novas versões dos pigmentos, talvez possamos criar plantas, ou células solares artificiais, que absorvam muito mais energia do sol do que antes.

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Quando a clorofila — composta de camadas de carbono e anéis de nitrogênio — absorve um fóton de luz, os elétrons são empurrados para um estado de energia maior. A diferença entre a energia contida nestes elétrons antes e depois de absorver a luz do Sol determina quais cores serão absorvidas e refletidas. A diferença depende da estrutura molecular da clorofila. Depois de sintetizar diferentes versões da clorofila em laboratório, três químicos descobriram como alterar a fração de luz solar que o pigmento absorve e reflete, ao modificar a estrutura química dos anéis.

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Naturalmente, moléculas de clorofila, encontradas em plantas e bactérias, absorvem um número diferente de cores. E agora os químicos podem preencher estas diferenças.

Até agora, a equipe produziu diversos sabores diferentes de clorofila — pigmentos que absorvem frações da energia solar que plantas não conseguem. Mas as possibilidades, eles dizem, são praticamente ilimitadas.

“Se você vier até nós e disser que quer uma molécula de determinado tipo, que absorverá um determinado feixe de luz, centralizado em uma onda vermelha ou próxima à infravermelha de, digamos 750 nanômetros, podemos lhe dizer como sintetizar uma que lhe dará o espectro desejado”, diz o co-autor do estudo, Dewey Holton, em um anúncio.

No futuro, talvez possamos criar plantas com clorofilas customizáveis que acessem mais ou diferentes partes do espectro solar, permitindo cores diferentes das variedades de verde que temos. Pode levar um tempo para nos acostumarmos a comer saladas azuis e laranjas, mas se hackear a fotossíntese vai nos ajudar a alimentar nossa futura população, é melhor começarmos a nos acostumar com a ideia.

A pesquisa pode ser lida na integra em Journal of Physical Chemistry B.

Imagem de capa: Shuttershock