Existem no mundo cerca de 500 espécies de abelhas sem ferrão. Nas colônias em que vivem a maior parte delas, uma única larva é escolhida pelas operárias para se tornar a rainha. A eleita é colocada em uma célula maior da colmeia e recebe uma dieta especial. 

Mas as abelhas da espécie Melipona beecheii, comuns da América Central, não seguem esta regra. Todas vivem em espaços de tamanhos iguais e recebem a mesma alimentação. A forma como a rainha eleição da rainha acontece por lá ainda permanece misteriosa. 

Inclusive, não há apenas uma larva que evolui para ser rainha. Cerca de um quinto delas segue este mesmo destino. Em 2010, pesquisadores chegaram a cogitar que as operárias estava alimentando as escolhidas com uma substância química chamado geraniol. Sendo assim, a colônia teria várias rainhas que, no futuro, invadiriam outras colmeias e a conquistariam através do parasitismo, espalhando seu DNA.

Mas estudos recentes conduzidos por pesquisadores da Universidade Autônoma de Yucatán, no México, mostraram que não funciona assim. Eles criaram 600 larvas em laboratório à base de geraniol e perceberam que a alimentação não afetava se a abelha iria evoluir para operária ou rainha. O processo foi relatado na revista científica Biology Letters

Quando parte das larvas viravam rainhas e tentavam sair de suas células, eram imediatamente mortas por operárias. Apenas uma prosperava. Ou seja, o inseto podia até escolher na infância virar uma rainha, mas eram os súditos que ditariam se ela estava apta ao cargo ou não.

Claro, usamos aqui a palavra “escolher” apenas no sentido figurativo. Os cientistas não acreditam que decidir ser rainha ou não seja um desejo consciente das larvas individuais. Ao que parece, existem preferências biologicamente orientadas – a ciência só não sabe ainda dizer quais são elas.