Eu acordei na quarta-feira dentro de uma cena de O Vingador do Futuro. Sydney havia sido coberta por uma tempestade de pó vermelha e apocalíptica. Vermelha pelo óxido de ferro: ferrugem. E se eu mal conseguia respirar, meus gadgets é que não iriam gostar nada disso.

Mas eu fiz o que qualquer geek faria. Regredi ao estado mental de uma empolgada criança de 10 anos, catei a minha câmera e saí para brincar no clima bizarro. Depois de cinco minutos de tosse constante, notei que a minha G9 já estava começando a ficar empoeirada e decidi que não valia a pena. Eu havia dormido com a janela meio aberta, então havia um pouco de pó dentro de casa também. Desliguei o meu desktop, que tem um grande ventilador jogando ar para dentro dele, e liguei o laptop para tentar descobrir o que diabos estava rolando.



Grandes ventos varreram o pó do árido interior da Austrália, carregando-o por milhares de quilômetros para a costa leste. Sydney (com uma população de 4,3 milhões) foi a cidade mais afetada, mas várias outras cidades também sofreram os efeitos. Em termos de poluição do ar, a concentração de partículas chegou a 15.000 microgramas por metro cúbico — em um dia normal aqui, isso fica entre dez e vinte.

O humorista Arj Barker (de Flight of the Conchords) twittou esta foto. "Sydney está parecendo Dune. Esta é a tempestade de areia gigante na qual tivemos que pousar".

Até que os ventos varreram o pó para o oceano no meio da tarde os vôos foram cancelados, o Twitter virou uma loucura, o tráfego de MMS teve um pico de 50%, data centers instalaram filtros de ar… Foi interessante observar como a tecnologia se comportou durante este tempo louco.

A nuvem de pó foi a pior em 70 anos, e ainda não se sabe se as mudanças climáticas tiveram alguma culpa. Pelo menos eu tive um gostinho da vida em Marte por um dia. E tinha gosto de pó. [Sydney Morning Herald]