Aqui está, se escondendo no meio do mais recente comunicado à imprensa feito pela empresa, como uma guilhotina em uma praça lotada: “A Adobe está planejando acabar com o Flash”. Boom. Esse é o som da lâmina caindo e do Flash, até que enfim, morrendo misericordiosamente. Porque a Adobe acabou de matá-lo.

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Na verdade é um pouco mais complicado do que isso. A Adobe está trabalhando com Apple, Facebook, Google, Microsoft e Mozilla para colocar o último prego no caixão do Flash nos últimos três anos. O comunicado da empresa continua dizendo que, “especificamente, vamos parar de atualizar e distribuir o Flash Player no fim de 2020 e vamos encorajar os criadores de conteúdo a migrarem qualquer conteúdo em flash existente para esses novos formatos abertos”.

Essa é uma excelente notícia, embora dificilmente seja uma surpresa. O Flash tem sofrido uma lenta, dolorosa e até mesmo perigosa morte já há anos. Conforme mais e mais desenvolvedores foram para padrões abertos, como o HTML5, o software da Adobe, um dia onipresente, começou a desaparecer de sites a torto e a direito. Enquanto isso, o Flash esteve cheio de preocupações com a segurança e se tornou um alvo frequente para hackers buscando mecanismos de entrega de malwares. A Adobe simplesmente não conseguia enviar atualizações de segurança rápido o bastante para manter as máquinas das pessoas seguras.

No ano passado, o Google decidiu que o Flash era tão arriscado que anunciou um novo sistema em que o Chrome iria tornar padrão o HTML5 sempre que possível. E isso aconteceu apenas uns meses depois de o Google proibir o Flash na exibição de anúncios. A essa altura, o Flash já era um zumbi. Aliás, a feia e lenta morte do Flash havia começado lá em 2015, quando a Adobe matou a marca Flash. Avançando, o software que havia sido chamado de “Flash Professional” foi renomeado para “Adobe Animate”. Ainda assim, os hackers continuaram hackeando, e o Flash seguiu perigoso, com qualquer nome que fosse.

Embora o Flash esteja oficialmente morto, vai levar algum tempo para ele desaparecer completamente. É exatamente por isso que a Adobe recrutou a ajuda das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, cada uma das quais lançou seus próprios comunicados. Você pode ler esses comunicados aqui: Apple, Facebook, Google, Microsoft e Mozilla. É difícil ler o comunicado da Apple sem ouvir a voz de Steve Jobs:

Os usuários da Apple tem usado a rede sem o Flash há algum tempo. iPhone, iPad e iPod Touch nunca tiveram suporte para o Flash. No Mac, a transição do Flash começou em 2010, quando ele não vinha mais pré-instalado. Hoje, se os usuários instalam o Flash, ele permanece desligado por padrão. O Safari exige uma aprovação explícita em cada site antes de executar o plugin do Flash.

Afinal, foi em 2010 que Jobs levantou sua foice e declarou que o Adobe Flash precisava morrer e que a Apple daria conta do primeiro golpe, ao não oferecer suporte ao software em dispositivos iOS. Aqui está uma citação chave daquela publicação de blog lendária:

O Flash foi criado durante a era do PC – para PCs e mouses. O Flash é um negócio bem-sucedido para a Adobe, e nós entendemos por que eles querem empurrá-los para lugares além dos PCs. Mas a era mobile se trata de dispositivos de baixa energia, interfaces de toque e padrões wen abertos – todas essas áreas em que o Flash é fraco.

Portanto, levou uma década para a Adobe admitir, mas Steve Jobs estava certo. PCs e mouses ainda vão sobreviver. O Flash, não. O Flash está morto. Vida longa ao HTML5.

[Adobe]