Na semana passada, a Adobe disse que versões antigas de aplicativos da Creative Cloud — incluindo o Photoshop e o Lightroom — não estariam mais disponíveis para os assinantes. Esta semana, alguns usuários estão recebendo mensagens da empresa avisando que podem estar em “risco de potenciais denúncias de terceiros por violações”, caso continuem usando versões desatualizadas de seus aplicativos.

Este novo termo, “denúncias de terceiros”, é interessante. Em um post em seu blog, a Adobe explicou que os assinantes da Creative Cloud só teriam acesso às duas versões mais recentes de seu software. No entanto, não foi dada uma razão convincente, além da explicação clichê de que as versões mais recentes prometiam “desempenho e benefícios otimizados”.

Em um e-mail para o Gizmodo, um porta-voz da Adobe forneceu a seguinte declaração:

A Adobe recentemente descontinuou algumas versões antigas dos aplicativos da Creative Cloud. Os clientes que usam essas versões foram notificados de que não estão mais licenciados para usá-las e receberam orientações sobre como atualizar para as versões mais recentes autorizadas. Infelizmente, os clientes que continuarem a usar ou instalar versões mais antigas e não autorizadas da Creative Cloud podem enfrentar possíveis reclamações de violação por terceiros. Não podemos comentar sobre reclamações de violação de terceiros, já que isso diz respeito a litígios em andamento.

A Adobe não conta quais “terceiros” podem denunciar você por usar software antigo. No entanto, isso pode ter relação com outro caso paralelo: a empresa está sendo processada pela Dolby por violação de direitos autorais.

Basicamente, uma queixa legal de março detalha que a Adobe licenciou algumas tecnologias da Dolby para seus aplicativos. Antes do Creative Cloud, as duas empresas fecharam um acordo com base no número de discos vendidos de determinados aplicativos. No entanto, a denúncia alega que a Adobe passou a tratar seus números de forma mais reservada quando mudou para a nuvem.

Essencialmente, era fácil para a Adobe reportar vendas quando oferecia seu software em discos físicos. No entanto, do jeito que a Creative Cloud funciona, profissionais pagam uma assinatura para obter acesso a vários programas. Ou seja, uma assinatura dá acesso a vários programas com a tecnologia da Dolby, mas a Dolby é paga apenas uma vez.

A reclamação detalha, por exemplo, que a Master Collection da Adobe é vendida como um único produto, mas na verdade contém “quatro produtos, sendo que cada um contém uma cópia separada e independente de uma tecnologia da Dolby” e que cada uma exige seus próprios royalties.

O que isso realmente tem a ver com os assinantes da Creative Cloud ainda não está claro. Afinal de contas, não é culpa dos usuários se venderam para eles licenças para programas aos quais não tinham acesso. Não sabemos exatamente se o caso Dolby é a razão exata pela qual a Adobe decidiu deixar de permitir o acesso a versões mais antigas de seu software, mas, ao falar em denúncias de terceiros, essa se torna uma possibilidade.

Se esse for o motivo, no entanto, também é uma lógica imprecisa penalizar os usuários por alguma suposta fuga de royalties da empresa, quando muitos estão pagando fielmente suas taxas de assinatura.

E antes de pensar em “Bem, mas é só atualizar então, né?”, é importante notar que há muitas razões por que alguém poderia preferir uma versão mais antiga do software. Por exemplo, o usuário poderia estar usando computadores mais antigos, que não possuem as especificações para executar programas mais pesados.

E, embora os serviços baseados na nuvem tenham definitivamente seus benefícios, a questão lança luz sobre o fato de que você, em essência, não possui o software pelo qual está pagando. É diferente do que acontecia com as cópias físicas.

Seja como for, não há muito que profissionais do setor criativo possam fazer além de atualizar, encontrar programas alternativos ou pegar seu tapa-olho da gaveta e recorrer a uma boa pirataria à moda antiga. Também há a opção de rir de alguns memes da Adobe.

[Apple Insider]