O caos absoluto que está a história do 737 Max da Boeing piorou ainda mais, com outra questão de segurança vindo à tona nesta semana, o que resultou em mais cancelamentos de voos de companhias norte-americanas que contavam com a aeronave em suas frotas.

A United Airlines anunciou na quarta-feira (26) que prorrogou os cancelamentos anteriores para o dia 3 de setembro, segundo o Guardian. Enquanto isso, a Southwest Airlines, que anteriormente anunciou cancelamentos até o início de setembro, disse em um comunicado nesta quinta-feira (27) que estava removendo voos do 737 Max de sua programação até 1º de outubro. A companhia aérea disse que as mudanças afetariam cerca de 150 voos por dia.

As notícias surgem em meio a relatos de que pilotos de teste da Administração Federal de Aviação (FAA, em inglês) descobriram um novo problema crítico de segurança com o sistema de software anti-stall do 737 Max, chamado MCAS, durante simulações de voo. De acordo com uma fonte familiarizada com o assunto que falou com o Washington Post, esses pilotos estavam preocupados que não fossem capazes de “seguir os procedimentos de recuperação exigidos de forma rápida e fácil”.

A FAA disse em um comunicado na quarta-feira (26) que “encontrou um risco potencial que a Boeing deve mitigar”. O Washington Post relatou a falha como não relacionada à suspeita de ter desempenhado um papel importante em dois acidentes que resultaram na morte de 346 pessoas.

A Boeing informou que está trabalhando em uma solução para o problema de software que “reduziria a carga de trabalho dos pilotos ao fornecer uma fonte potencial de movimento estabilizador não comandado”.

“Durante a revisão da FAA da atualização do software 737 MAX e de sessões recentes de simuladores, a Federal Aviation Administration (FAA) identificou um requisito adicional que pediu à empresa para resolver por meio das alterações de software que a empresa vem desenvolvendo nos últimos oito meses”, disse a empresa em um comunicado. “A Boeing concorda com a decisão e pedido da FAA e está trabalhando no software necessário”.

A FAA suspendeu oficialmente os jatos em março, e não se sabe quando eles serão liberados novamente para voo comercial. A FAA disse nesta semana que está “seguindo um processo minucioso, não um cronograma prescrito” na revisão dos aviões.

Enquanto esperam a aprovação da FAA, as duas companhias aéreas e a Boeing parecem estar dispostas a fazer praticamente qualquer coisa para ajudar a melhorar a reputação de seus jatos 737 Max e convencer os clientes de que são seguros. A Boeing diz que está disposta a mudar o nome dos aviões se isso ajudar a reformular a marca. Enquanto isso, a American Airlines, que recentemente estendeu seus próprios cancelamentos de voos até o início de setembro, parece preparada para colocar seus executivos nos aviões para tranquilizar o público.