Aeronave híbrida do futuro pode transportar passageiros e cargas a partir de 2026

Mistura de avião com dirigível promete ser o cruzeiro dos ares, proporcionando viagens mais confortáveis e com menos emissão de poluentes
Hybrid Air Vehicles Airlander 10
Imagem: HAV/Divulgação

Já pensou em fazer uma viagem de cruzeiro, mas nas alturas? Isso está mais próximo de acontecer do que parece. Segundo a empresa britânica Hybrid Air Vehicles (HAV), suas aeronaves híbridas Airlander 10 devem iniciar as operações a partir de 2026, quando entregará 10 unidades à companhia aérea espanhola Air Nostrum.

Essas aeronaves híbridas usam uma combinação de sustentação aerodinâmica (como nos aviões), gases leves (como nos dirigíveis) e o empuxo vetorial (semelhante ao dos helicópteros).

Até 40% da sustentação do Airlander é efeito da aerodinâmica, enquanto o resto é fornecido pelo gás hélio. Dessa forma, o motor pode funcionar a uma potência menor para mantê-la no ar, que faz com que o consumo de combustível diminua.

Emissão de carbono

Segundo a HAV, a primeira versão do Airlander 10 emite 75% menos de gás carbônico do que os aviões normais. A empresa trabalha para que essa emissão seja zerada até 2030 com a adoção de motores elétricos. “Achamos que alcançaremos zero emissões mais rápido do que qualquer outra forma de aviação”, disse Nick Allman, chefe de operações da empresa, ao New Scientist.

Mais do que ser um meio de transporte ecológico, a aeronave híbrida gigante também quer ser uma opção mais interessante para o turismo de luxo. Como seu motor é mais fraco e silencioso, ele produz menos ruído do que as turbinas a jato. Seu corpo é bem maior, do tamanho de um campo de futebol, então ele sofre menos turbulência, o que proporciona viagens mais estáveis e confortáveis.

Hybrid Air Vehicles Airlander 10

Airlander 10 pode ser configurado para criar cabines de luxo Imagem: HAV/Divulgação

Segundo a empresa, o modelo padrão do Airlander tem capacidade para até 100 pessoas. Mas seu interior pode ser configurado para ter algumas dezenas de cabines, um restaurante e um bar, por exemplo. Com janelas que vão do chão ao teto, a viagem ainda proporciona uma vista bastante privilegiada.

Outra utilização planejada pela HAV é a de transporte de cargas. Como esse tipo de aeronave não exige infraestrutura complexa, como aeroporto ou trilhos de trem, ela pode chegar a locais distantes a um custo menor. O único requisito necessário é uma superfície plana com 600 metros de diâmetro. Segundo a empresa, a futura aeronave Airlander 50 terá capacidade para até 50 toneladas, algo próximo ao de um navio cargueiro.

É seguro viajar nele?

Apesar das vantagens, o Airlander 10 leva a pior em alguns quesitos. Assim, a mais gritante é na questão da velocidade, que chega no máximo a 130 km/h. Isso é bem menos do que trens-bala e aviões, por exemplo. A empresa argumenta que, se contar o tempo de deslocamento ao aeroporto e todo o trâmite do embarque e desembarque, a diferença no tempo total da viagem é consideravelmente menor. Além disso, a aeronave híbrida pode ficar no ar durante cinco dias.

Outra questão é quanto à segurança da aeronave. O desastre do Hindenburg de 1937, que pegou fogo e matou 35 pessoas a bordo, criou um trauma mundial. E fez com que os dirigíveis fossem aposentados como meio de transporte. Porém, ao contrário dos antigos zeppelins lotados de hidrogênio, os dirigíveis atuais utilizam hélio, um gás não-inflamável, para flutuar.

Hybrid Air Vehicles Airlander 10

Airlander 10 é à prova de chamas Imagem: HAV/Divulgação

Mesmo assim, os aviões da HAV já se envolveram em alguns acidentes durante a fase de testes das aeronaves. Em 2016, seu bico ficou danificado após uma aterrissagem mal sucedida. Em 2017, uma falha humana ativou o sistema de segurança, que murcho-o ainda em solo. Nos dois casos, a empresa divulgou relatórios com as conclusões das investigações.

Só o futuro dirá se as aeronaves híbridas conseguirão substituir os aviões um dia. O problema é que as reservas de hélio não durarão muito tempo, pois especula-se que o consumo delas acabará em até 20 anos. Até lá, será preciso achar um substituto para manter as aeronaves ecologicamente corretas no ar.

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Igor Nishikiori

Igor Nishikiori

Formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Já passou pelas redações da Editora JBC, São Paulo Shimbun, Folha de S. Paulo e Portal R7. Prefere o lado alternativo das coisas, de música a futebol.

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