A Amazon anunciou a compra de 11 aviões de transporte de passageiros da Delta e WestJet que serão convertidos em jatos de carga. É a primeira vez que a gigante do varejo adquire aviões – e tantos de uma só vez -, ao invés de de apenas alugá-los. A aquisição deve ajudar a companhia em um momento crítico da indústria aérea, que luta contra uma desaceleração na demanda de novas viagens durante a pandemia de COVID-19.

Os 11 aviões são aeronaves Boeing 767-300, sendo sete da Delta e quatro da WestJet. Os aviões da WestJet já estão sendo convertidos em veículos de carga e se juntarão à frota da Amazon Air este ano, enquanto os aviões da Delta farão parte da rede da Amazon em 2022.

Lançada em 2016, a Amazon Air abriu recentemente novos postos em alguns países, como nos Estados Unidos e Alemanha. Ao que parece, a ideia da Amazon é depender menos de empresas como FedEx e UPS para enviar mercadorias ao redor do mundo. No entanto, mesmo com as novas aeronaves, a varejista ainda depende de transportadoras terceirizadas para operar seus aviões.

É por esse motivo, e também na perda da indústria aérea devido ao COVID-19, que a Amazon viu uma oportunidade de continuar crescendo, mesmo durante a pandemia, já que mais pessoas estão em suas casas e, consequentemente, acabam fazendo mais compras online

“Nosso objetivo é continuar atendendo clientes em todos os EUA da maneira que eles esperam da Amazon, e comprar aeronaves próprias é o próximo passo natural em direção a esse objetivo. Ter uma combinação de aeronaves próprias em nossa frota crescente nos permite gerenciar melhor nossas operações, o que por sua vez nos ajuda a manter o ritmo no cumprimento das promessas aos clientes”, disse Sarah Rhoads, vice-presidente da Amazon Global Air, em um comunicado oficial.

A Amazon não divulgou quanto pagou pelos aviões, mas as companhias aéreas têm se esforçado para se desfazerem de suas aeronaves mais antigas, já que a demanda por voos de passageiros continua caindo no mundo. A pandemia do novo coronavírus forçou muitas empresas do setor a fazer escolhas difíceis e, embora as vacinas estejam sendo lançadas, não há garantia de que a indústria poderá se recuperar totalmente em 2021.

Os EUA, por exemplo, ainda registra números altíssimos de novos casos de COVID-19, que hoje totalizam 21 milhões de infecções detectadas desde o início da pandemia, com mais de 357 mil vidas perdidas. Os aeroportos, por serem ambientes fechados, podem ser um potencial local para a transmissão do vírus, o que preocupa autoridades. Só no último domingo (3), quando se encerrou o feriado de Ano Novo, a Administração para a Segurança dos Transportes (TSA) rastreou cerca de 1,3 milhão de passageiros. É um número 50% menor do que o contabilizado na mesma data em 2020, porém não deixa de ser elevado dado o momento atual.