por Bruno Izidro

Anunciado meio que na surpresa há dois meses pela Capcom, Mega Man Legacy Collection chegou nesta terça-feira (25) ao PS4, Xbox One e PC (uma versão de 3DS só deve ser lançada em 2016). O “legado” que a coleção promete entregar são os primeiros jogos da série clássica do robô azul que foram lançados para o Nintendo 8-bit, do Mega Man 1 ao 6, mas ao oferecer pouco mais do que os games otimizados para consoles atuais, ele está bem longe de ser a coletânea que os fãs merecem.

Como alguém que nunca foi dono de um Nintendinho e que só teve um contato maior com Mega Man pela série X, Mega Man Legacy Collection parecia ideal para resgatar o tempo perdido. Nesse sentido, a coletânea cumpre bem o papel de passar a experiência dos jogos da série clássica, tanto que as versões encontradas lá continuam até com as falhas de pixel e queda de frames visíveis dos originais.

Agora, se isso é uma falha grave pelos erros não terem sido corrigidos ou se é mais um ingrediente para o fator nostálgico dos jogos, vai do jogador decidir. Pra mim, foi uma mistura dos dois, porque essas falhas têm lá seu charme histórico.

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Ainda assim, a coletânea consegue mostrar porque esses jogos clássicos do robô azul são lembrados até hoje. Mesmo com uma estrutura que não muda nos seis jogos e com apenas dois comandos (pular e atirar) é possível ver uma progressão da série com o passar do tempo, desde uma produção mais elaborada com direito a introdução, a partir de Mega Man 2, até a inclusão de mais elementos na mecânica, como acontece em Mega Man 3, com a adição do cachorro Rush e a possibilidade de dar rasteiras para passar de obstáculos baixos.

As mudanças que a Legacy Colletion traz são mais para facilitar a famigerada dificuldade dos jogos: uma delas é com um botão a mais de tiros em sequência; outra é a opção de salvamento rápido em qualquer momento, algo típico de emuladores. Para os mais saudosistas, há também alguns filtros que simulam o aspecto de TVs antigas ou opção de vários formatos de tela.

Pelo que falei até agora, o que a Legacy Colletion oferece não é muito mais do que você poderia ter usando um emulador. O diferencial seria, então, nos modos ou material extras que ele traria. É aí que a coletânea chega a decepcionar. Fora os jogos, há pouco conteúdo e o que tem não é lá tão interessante.

Há um modo “desafio”, que mistura várias fases dos jogos para serem completados com limite de tempo; há também a opção “Banco de Dados” em cada jogo, com informações e dicas de como enfrentar os inimigos — nela é possível até enfrentar cada chefe de fase com o Mega Man já com todos os poderes. O melhor desses extras, porém, é o “Tocador de Música”, uma opção onde, como o nome já diz, é possível ouvir a trilha de todos os jogos — as músicas sobreviveram super bem à passagem do tempo e continuam ótimas.

O que mais me decepcionou em Mega Man Legacy Colletion foi a falta de material mais relevante para justificar o “legado” do robô azul.  Há até uma opção “museu” no jogo, mas que se limita e imagens e concepts. Não há nenhum tipo de documentário, entrevista com as pessoas envolvidas nos jogos ou algo que desse mais valor aos jogos que estão ali, principalmente por eles terem construído o sucesso do personagem. Isso seria algo que qualquer fã (que parece ser o alvo da coletânea) certamente gostaria.

Fora que somente seis jogos parecem não valer tanto a aquisição do pacote. Tudo bem que elas representam a fase do Nintendinho, uma das mais clássicas, mas ainda assim Mega Man 7, do Super NES, Mega Man 8 (do primeiro PlayStation e Saturno e não de SNES como dito antes), e os 9 e 10, para PS3 e Xbox 360, poderiam agregar mais à coletânea e fazem falta.

Sem muita coisa que chame a atenção fora os próprios jogos e perdendo a oportunidade de enaltecer o valor histórico deles, Mega Man Legacy Colletion pode muito bem passar batido tão rápido quanto apareceu. Uma pena.

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Mega Man Legacy Colletion chega nesta terça-feira (25), somente em versão digital na PSN (PS4) por R$ 30,99; Xbox Store (Xbox One) por R$ 29 e Steam (PC) por R$ 29,99. A cópia do jogo para análise foi cedida pela Capcom.